11 de mar de 2012

Despertando uma Consciência Religiosa - Código de Umbanda






 Código de Umbanda


Doutrina e Ritual de Umbanda

Livro 1

Sobre a necessidade de formação de uma consciência religiosa de natureza umbandista, e sobre polos dos procedimentos e das práticas rituais de Umbanda.








Primeiro Capítulo



Despertando uma Consciência Religiosa

A crendice popular, alimentada pela ignorância de muitos e pela perfídia de outros, tem-se esmerado em relacionar os Orixás, sobretudo os Orixás cósmicos que atuam na Umbanda, com histórias de medo e de terror desenroladas em cenários de desolação e dor.
       
Por outro lado, as próprias lendas (que têm sido, para muitos, a única fonte de referências) contribuem para alimentar esse clima entre os umbandistas.
São incongruências como estas que às vezes ofuscam os nossos amados Orixás. E, ainda que saibamos que um certo desconhecimento de causa levou muitos a difundirem essa versões sombrias, no entanto, não deixamos de combatê-las, semeando um conhecimento verdadeiro que, se colocado em prática pelos dirigentes umbandistas, só engrandecerá a própria ritualística, a religiosidade e a caridade praticada por milhões de médiuns de Umbanda.
            
Eu costumo dizer que nos cultos africanos se cultuam os Orixás e na Umbanda se “trabalha” para os Orixás. E acho que não estou longe da verdade, pois o médium de Umbanda analisa sua religiosidade pelo trabalho que realiza enquanto incorporado pelos seus guias; espíritos que atuam sob a irradiação direta dos Orixás e manifestadores humanos de suas qualidades divinas.
           
Assim sendo, um médium não se conforma só em frequentar seu centro: ele quer trabalhar incorporado pelo seu guia. E se isso não acontece em sua vida religiosa, logo se desencantará e se afastará, muito triste, já que irá julgar-se inútil.
            
Porém, ele não atenta para um detalhe muito importante na religião de Umbanda: desde que se integrou à corrente espiritual de um centro de Umbanda, ele se tornou beneficiário direto dos Orixás que a sustentam e passou a receber suas irradiações diretas, que o ampararão e o direcionarão dali em diante. E isso significa que, mesmo que sua mediunidade de incorporação demore a aflorar (ou nunca aconteça), no entanto, sua fé o religa com os Orixás e o torna importante para a corrente, que confiará a ele algum outro tipo de trabalho dentro das atividades do centro.
        
Afinal, se todos incorporarem, quem auxiliará os trabalhos dos guias, quem orientará a assistência, quem cantará os pontos dos Orixás, quem tocará os atabaques, etc.?
           
Uma corrente de Umbanda não é formada só de médiuns de incorporação. E todos os membros de uma corrente estão sob a irradiação direta dos Orixás.

O fato de estar sob a irradiação direta é fundamental para o médium umbandista poder cultuar todos os Orixás dentro de seu templo, receber o amparo de todos e ativar seus poderes e mistérios em benefício de sua corrente.

Logo, um médium de Umbanda, se esclarecido e ensinado, pode, e deve, estabelecer uma ligação mental direta com todos os Orixás e recorrer àquele que sentir que resolverá mais facilmente algum problema que se lhe apresente.

Um médium não incorporador não pode e não deve assumir a responsabilidade de solucionar uma demanda. Mas pode, e deve, encaminhar alguém perturbado por uma demanda a um médium capacitado, ou mesmo recomendar-lhe que vá até um ponto de forças que forma um campo magnético, energético e vibratório com o Orixá que o rege, e nele deverá solicitar o auxílio e o amparo para superar as dificuldades, perturbações e obsessões espirituais que o estão desequilibrando advindas com a demanda.

Por isso, o conhecimento a respeito dos Orixás é importante e fundamental ao umbandista, seja ele um médium de incorporação ou não. Médium significa “um meio”. E todos podem ser mediadores entre os dois planos da vida, desde que tenham sido instruídos e “apresentados” aos Sagrados Orixás.

Na instrução está a absorção de conhecimentos, seus campos de atuação, suas qualidade, seus atributos e suas atribuições. E isso não se consegue de uma hora para outra. É preciso estudar e munir-se de muito bom senso, senão nunca se será um bom “médium”, mesmo sendo incorporador, já que todas as suas ações individuas ficarão sujeitas ao guia, o qual terá de assumir pessoalmente todas as etapas da ajuda a alguém necessitado do socorro espiritual.

Mas, com um médium bem instruído, algumas etapas de uma ação ou trabalho espiritual são resolvidas sem precisar da incorporação do seu guia espiritual, que deixa ao médium a realização delas.

Já a apresentação aos Orixás é fundamental para quem deseja ser médium beneficiário dos poderes e mistérios dos Orixás, pois eles só reconhecem alguém como apto a encaminhar-lhes pessoas com problemas espirituais ou dificuldades materiais se este alguém lhes foi apresentado, e corretamente, já que, quando se procede de forma correta, estabelece-se uma ligação mental direta entre o Orixá e o médium que se lhe está sendo apresentado, e que irá encaminhar-lhe pedidos de ajuda, socorro espiritual e amparo material a várias pessoas.

Essas apresentações têm sido realizadas de forma inconsciente pelos médiuns quando seus guias ordenam que vão até uma cachoeira, mar, pedreira, cemitério, etc., e ali façam uma oferenda ao Orixá Regente daquele ponto de forças naturais.

Nesses casos (a maioria), o apresentante consciente é o guia do médium, que já está ligado ao Orixá, e o médium é apresentado ou iniciado de forma inconsciente, pois dali em diante existirá uma ligação entre o médium e o Orixá Regente daquele campo magístico, ao qual poderá recorrer sempre que precisar.

Mas a melhor apresentação é aquela que o pai ou mãe espiritual realiza para seus filhos espirituais, pois os conscientiza das ligações que se estabelecerão e facilitarão, e muito, os trabalhos que o médium assumirá dali em diante sob a orientação de seu guia chefe, que é o realizador deles e responsável pelas ações do médium.
            
O lado prático da Umbanda já está bem definido e dispensa maiores comentários, pois a espiritualidade tem suprido a carência de teoria ou conhecimentos fundamentais dos médiuns de Umbanda. Logo, esses comentários visam a suprir esta lacuna dentro do Ritual de Umbanda, e a fornecer aos médiuns todo um alicerce teórico que tanto facilitará o entendimento de sua religião como o conhecimento verdadeiro a respeito dos Orixás, e facilitará seus trabalhos práticos pois se, sem a teoria, já realizam um trabalho inestimável em nome dos Orixás, então com a teoria à mão mostrarão aos frequentadores de seus templos o quanto é divino o universo religioso habitado e regido pelos Sagrados Orixás. Saibam todos que os Orixás não regem só os que “raspam no Santo” ou são médiuns.
            
Isso seria um contrassenso em se tratando de divindades, pois bem sabemos que alguém, para ser “cristão” e ser beneficiário do amparo divino de Jesus Cristo, nosso amado pai, não precisa tornar-se padre. Se assim o fosse, o Cristianismo logo seria uma religião só de “pais”, mas sem filhos. Estéril, religiosamente falando.
            
Portanto, o contrassenso é eloquente no culto dos Orixás. Falta desenvolverem a teoria que ensine aos pais e mães sacerdotes essa consciência religiosa, que estimularia aos frequentadores de seus templos para que eles também desenvolvessem em seus íntimos a religiosidade que existe na Umbanda e a qual encontra seus fundamentos nas divindades naturais: nossos amados Orixás, os senhores do alto do Altíssimo Olorum.
            
Nós entendemos que a falta de uma genuína “teologia de Umbanda” para que se ensine a teoria aos frequentadores das tendas e os convertam à religião dos Orixás e a fim de que todos assumam uma consciência religiosa que dará aos fiéis de Umbanda os recursos teológicos para que deixem de ser tão dependentes dos guias espirituais, dos médiuns e dos trabalhos práticos e vivenciem suas religiosidades como uma ligação contínua com os Sagrados Orixás, que são, todos eles, manifestadores de Olorum, o Senhor Nosso Criador.
           
A Umbanda, como um todo, é uma via rápida de evolução e coloca seus fiéis em contato direto com o mundo dos espíritos e com o universo dos Orixás – hierarquias divinas aceleradoras e sustentadoras das evoluções.
            
Mas quem é o fiel de Umbanda?
            
Será que é correto restringi-la apenas aos médiuns praticantes, ou devemos estender esse termo aos frequentadores das tendas?
            
É claro que devemos estender aos frequentadores e desenvolver junto a eles uma consciência religiosa de Umbanda, franqueando-lhes todo um conhecimento teológico que os coloque em comunhão direta com os sagrados Orixás. Com isso, estaremos criando, no plano material, uma egrégora religiosa poderosíssima que irradiará sua luz sobre a casa e a vida de todo fiel umbandista, e que se manifestará em sua jornada espiritual, que se iniciará após o desencarne, pois sua consciência religiosa o direcionará, quando no mundo espiritual, às faixas vibratórias celestiais reservadas à religião de Umbanda.
            
Sim, porque toda religião que surge na face da terra atende a uma vontade do Divino Criador, que reserva no plano espiritual faixas específicas que acolherão seus fiéis após o desencarne, pois a religiosidade de um ser não deve sofrer descontinuidade. E, com os fiéis de Umbanda assumindo conscientemente essa afinidade que têm com os Orixás, isto lhes facultará nos pós-morte todo um universo afim com a religiosidade desenvolvida no universo religioso habitado por Orixás, Caboclos, Pretos-Velhos, Crianças e Exus.
            
Logo, já é tempo de desenvolvermos uma teologia umbandista de fácil assimilação pelos médiuns e de fácil transmissão aos frequentadores das tendas de Umbanda.
            
Temos de ensinar os Orixás de forma simples e estimular os fiéis de Umbanda a cultuá-los em seus lares, mas mentalmente e com orações e cantos de fundo religioso em cerimônias fechadas dedicadas apenas ao fortalecimento do núcleo familiar.
            
Só assim, com a disseminação contínua do culto aos Orixás, esta egrégora religiosa sairá dos templos de Umbanda, que é onde ela se manifesta atualmente, e se espalhará por todos os lares umbandistas, já em sintonia religiosa com as tendas que frequentam semanalmente.
            
Fundamentados nessa necessidade de preencher, e logo, esta lacuna na religião umbandista, reunimos nestes comentários toda uma teologia de Umbanda que fornecerá uma teoria afim com os trabalhos práticos já realizados nas tendas de Umbanda. Tenham uma boa leitura e absorvam com amor e fé os conhecimentos básicos e fundamentais à religiosidade regida pelos nossos amados Orixás.




Código de Umbanda - Rubens Saraceni
Livro 1
Capítulo 1

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