31 de mai de 2012

A Obsessão Espiritual e a Lei



Primeiramente é preciso estabelecer uma premissa, para, a partir desta desenvolver a teoria. Todavia - ainda que não pretendamos apresentar verdades irrefutáveis – é necessário aceitar esta premissa como verdadeira, mesmo que hipoteticamente, uma vez que todo o mais se baseia na aceitação desta primeira afirmação.

A Lei Maior ou Lei Divina, não aceita emendas, não faz concessões e não pode ser desrespeitada. Mesmo aqueles que se opõem a Deus, estão sujeitos às Suas leis.

O avião ao voar, não desrespeita a lei da gravidade, ao contrário, é com base nesta lei que sua estrutura e mecânica são desenvolvidas. A lei da gravidade, bem como todas as leis naturais, atua sobre todos sem fazer distinção e, também assim ocorre com as demais leis que regem o universo.

Também o livre-arbítrio é uma Lei inexorável, bem como as consequências das escolhas, ou, como diria o provérbio chinês: “o plantio é opcional, mas a colheita obrigatória”.

Assim, mesmo aqueles cujo comportamento se opõe a Deus e à Lei, estão submetidos a esta e não a conseguem burlar. São considerados criminosos em função de suas atitudes que visam o benefício individual à custa do bem comum, contudo, tanto suas motivações são permitidas pela Lei quanto a vulnerabilidade de suas supostas vitimas é consequência desta.

Dito isto, sigamos com o assunto proposto...


Quando falamos sobre obsessões, obsessores e obsedados, tendemos a identificar os personagens envolvidos como criminosos e vitimas, sendo os primeiros os criminosos e os últimos suas vitimas. Porém, afirmar isto implicaria em desmentir a premissa acima, pois, se a Lei não pode ser descumprida, toda ação ocorre dentro de seus limites e, portanto, não se caracteriza o crime.

O que estamos afirmando, é que o obsessor, ao atacar e mesmo prejudicar o obsedado, está agindo com o amparo da Lei Maior e não a desrespeitando como costumamos crer. E, não apenas os obsessores não são criminosos, como os obsedados não são vitimas inocentes.

Tudo e todos no universo estão sujeitos à Lei de Ação e Reação, Causa e Consequência ou, como preferem alguns: Carma.

Quando um espirito age sobre outro espirito, com intenção de prejudica-lo, isto se deve a uma brecha existente no comportamento atual ou passado do obsedado, que cria as condições para que o obsessor atue contra ele.

Em alguns casos abordados em outras postagens deste blog, os obsessores se aproximam por afinidade de pensamento - e/ou comportamento - com o obsedado, desenvolvendo uma relação parasitária e muitas vezes simbiótica. Em outras situações, o obsessor é vítima do obsedado, e sua ação é a busca de vingança.

Em qualquer destas circunstâncias, está o obsessor amparado pela Lei do Carma.

É o comportamento atual ou passado do obsedado que permite a ação do obsessor que, plantando sua vingança, certamente colherá as consequências, assim como o obsedado está colhendo as consequências de seu plantio.



A Justiça e a Misericórdia Divinas

É importante compreendermos a diferença entre duas qualidades divinas: a Justiça e a Misericórdia.

A Justiça que atua juntamente com a Lei, determina que de acordo com o plantio seja a colheita, enquanto a Misericórdia é o que permite que uma ação seja interrompida sem que sua causa se altere, possibilitando a “vitima” alterar seu comportamento, bem como as circunstâncias que permitem a ação de seu algoz.

Analisemos as diferentes maneiras que as religiões lidam com este aspecto e observemos alguns exemplos práticos para compreender melhor este assunto.

Assim como a mediunidade é faculdade comum aos religiosos em geral, as práticas de desobsessão ou o afastamento dos “maus espíritos” não são prerrogativa do espiritismo e das religiões de origem africana, estão presentes em muitas religiões, mesmo as mais ortodoxas e apresentam características comuns, como observaremos a seguir.

Exorcismos, descarregos, puxadas, pontos de pólvora, demandas, etc., atuam no desligamento do espirito obsessor em relação ao encarnado obsedado. Na maioria das práticas, o recurso utilizado é a magnetização do encarnado que, durante um período variável de tempo, torna-se imune à aproximação dos obsessores que são violentamente repelidos.

A incorporação do obsessor, seja através de um médium de transporte, seja através do próprio obsedado (como nos casos de possessão), permite o reestabelecimento dos corpos energéticos do espirito que está se manifestando, através da doação de plasma, criando as condições para que este altere sua condição mental e perceba com maior clareza a situação em que se encontra, premissa para que altere seu padrão vibratório e alcance uma situação em que poderá ser socorrido e/ou conduzido novamente ao caminho evolutivo.

As diferentes correntes espirituais apontam dois caminhos possíveis, com diferenças nos métodos adotados, mas também nas premissas que lhes dão origem. O caminho mais usual é o que prioriza o afastamento de obsessor e obsedado, muitas vezes de maneira violenta, causando lesões nos corpos e mentes dos obsessores e demonstrando preocupação exclusiva com o obsedado.

Este caminho, também conhecido como “o caminho da dor” nem sempre é eficiente à médio e longo prazos, e parte da premissa equivocada de que nesta relação obsessor/obsedado há uma vítima (obsedado) e um algoz (obsessor). 

Algumas práticas sequer tentam estabelecer diálogo com o obsessor, não oferecendo a este a oportunidade de rever seu comportamento e optar por uma nova conduta, e retornar assim à evolução através do caminho do amor.

Outras, como o espiritismo, demonstram uma preocupação oposta ao não oportunizar ao obsessor o caminho da dor, oferecendo apenas a opção da alteração da consciência através do diálogo doutrinário. Nestes casos, quando o obsessor não aceita a doutrina, não ocorre o desligamento deste em relação ao obsedado.

As práticas que entendemos mais equilibradas oferecem as duas opções ao obsessor:

- Primeiro ocorre o choque anímico energético através da incorporação, restitui-se os corpos energéticos deste e cria-se a condição mental que possibilita o diálogo, e então tenta-se fazer com que este perceba sua condição.

- Durante o diálogo, são demonstradas ao obsessor as consequências de suas escolhas, na tentativa de conduzi-lo a compreensão de que o caminho trilhado vem prejudicando mais a si mesmo que seu alvo. Quando se verifica a possibilidade, é oferecida a este a chance de, ao alterar sua conduta, retomar a trilha evolutiva servindo nos grupamentos que atuam à serviço da Lei Maior, em funções adequadas ao seu nível evolutivo e respeitando seu conhecimento e experiência pregressa.

- Quando esgotados os recursos que visam o esclarecimento e a conversão do obsessor, para que este retome a trilha evolutiva pelo caminho da palavra e do amor,  se este, mesmo após compreender as causas e consequências de seu comportamento, insistir em sua conduta, será classificado com espirito renitente e conduzido às faixas vibratórias negativas pelos Guardiões que atuam na esquerda, para lá esgotarem seu desequilíbrio até que tenham condições de retomar o caminho evolutivo.

Desta maneira, aplica-se a Lei da Misericórdia, permitindo ao obsedado que se reestabeleça e reorganize sua condição energético-vibratória, alterando seu comportamento e atitude mental e, consequentemente o padrão vibratório que permite a ação do obsessor. A este último, a mesma Lei garante uma segunda via evolutiva, possibilitando-lhe esgotar seus sentimentos desequilibrados, e encontrar o arrependimento e o remorso por seus atos, dentro daquele que é conhecido como o Caminho da Dor.  

Não obstante, convém salientar que os fatos que originaram esta relação obsessor/obsedado permanecem inalterados, bem como as permissões da Lei em relação a estes. Caso o espirito renitente encontre meios para, a partir das regiões inferiores, atacar novamente seu alvo, e ainda, caso este alvo mantenha seu padrão comportamental e conduta moral que mantenha aberta a faixa vibratória através da qual se estabelece a ligação entre ambos, o obsessor segue amparado pela Lei e tem permissão de reaproximar-se de seu antigo algoz para intentar sua vingança.

Conclui-se,  portanto que, para que o desligamento obsessor/obsedado ocorra de forma eficiente, por completo e em definitivo, é imprescindível que um dos dois altere radicalmente seu padrão mental e sua conduta.





Conhecimento, fé e amor ao próximo


Não é à toa que estes procedimentos, da maneira que entendemos a mais adequada, são tão raros de observar. Para que ocorram de maneira eficiente e beneficiando indubitavelmente todas as partes envolvidas, é necessária a confluência de diversos fatores, como salientamos anteriormente.

É essencial a individualização de cada caso, para que ocorra nos termos que citamos, não sendo possível estabelecer este nível de diálogo em sessões coletivas em que apenas uns poucos dirigentes são responsáveis por coordenar inúmeros espíritos.  

Sobretudo, quem dirige o procedimento e o diálogo com o espirito obsessor deve estar à altura da função. 

Quando os dirigentes são os Guias espirituais, sabe-se que possuem as condições fundamentais para exercer a função: conhecimento, fé e amor ao próximo. Todavia, quando aqueles responsáveis pelo diálogo com os obsessores são encarnados, convém que adquiram, antes de aceitar tal responsabilidade, as condições acima.

O conhecimento é imprescindível, não apenas acerca da realidade extracorpórea, bem como dos meandros da mente humana, de psicologia e de comunicação. A capacidade de conduzir a conversa para o caminho que mais lhe interessa, há de ser maior em um dos dois (doutrinador ou obsessor). Neste caso, não é desonesto manipular a mente do interlocutor, a fim de conduzi-la a compreensão daquilo que é fundamental para o bom desenrolar do processo.

A fé, bem como a devida assistência dos espíritos no ambiente é  outro aspecto que não deve, em nenhuma hipótese ser negligenciado. O local deve possuir as “firmações” adequadas e os trabalhos só podem ter início após as invocações de praxe, estando presentes espíritos qualificados a cumprir as diferentes funções que serão exigidas, sendo desde médicos e socorristas, até policiais devidamente armados para conter obsessores mais agressivos e espíritos renitentes.

O amor ao próximo e o desejo sincero de ajudar os irmãos em sua jornada evolutiva deve ser o motivador maior do processo que pretende alterar a relação entre obsessor e obsedado, promovendo o perdão entre os envolvidos e o aprendizado de ambos acerca da Lei Maior e das consequências das escolhas que fazemos.

A autoridade moral também é relevante, pois muitos obsessores são espíritos cultos e inteligentes e, não raro capazes de perceber as falhas morais de seus interlocutores, podendo mesmo desmascará-los diante de seus colegas, citando comportamentos inadequados para quem pretende apontar os erros alheios.

Não pretendemos aqui apontar erros, mas propor soluções. Somos adeptos da redução de danos e acreditamos que cada um faz o melhor que pode dentro de suas possibilidades, visando sempre auxiliar o próximo, esteja este encarnado ou desencarnado.

Também não há intenção em apontar um caminho único, mas, mais um caminho possível dentre tantos que nos auxiliam em nossa jornada.

Saravá! 

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