23 de abr de 2012

Ogum – Orixá Regente do polo positivo da linha da Lei


Ogum é o Orixá da Lei e seu campo de atuação é a linha divisória entre a razão e a emoção. É o Trono Regente das milícias celestes, guardiãs dos procedimentos dos seres em todos os sentidos.


Ogum é sinônimo de lei e ordem e seu campo de atuação é a ordenação dos processos e dos procedimentos.

O Trono da Lei é eólico e, ao irradiar-se, cria a linha pura do ar elemental, já com dois polos magnéticos ocupados por Orixás diferenciados em todos os polos. O polo magnético positivo é ocupado por Ogum e o polo magnético negativo por Iansã.

Esta linha eólica pura dá sustentação a milhões de seres elementais do ar, até que eles estejam aptos a entrar em contato com seu segundo elemento. Uns têm como segundo elemento o fogo, outros têm na água o segundo elemento, etc.

Portanto, na linha pura do “ar elemental” só temos Ogum e Iansã como regentes.

Mas se estes dois Orixás são aplicadores da Lei (porque sua natureza é ordenadora), então eles projetam-se e dão início às suas hierarquias naturais; aquelas que nos chegam por meio da Umbanda.

Os Orixás Regentes destas hierarquias de Ogum e Iansã são Orixás Intermediários ou regentes dos níveis  vibratórios da linha de forças da Lei.

Saibam que Oxalá tem sete Orixás Oxalás positivos e outros sete negativos que são seus opostos, e sete Orixás neutros; Oxum tem sete Orixás Oxuns positivas e outras sete negativas que são suas opostas; Oxóssi tem sete Orixás Oxóssis positivos, sete negativos que são seus opostos e outros que formam uma hierarquia vegetal neutra e fechada ao conhecimento humano material; Xangô tem sete Orixás Xangôs positivos e sete negativos que são seus opostos. E o mesmo acontece com Obaluaiê e Iemanjá.

Agora, a respeito de Ogum e Iansã, estes dois Orixás são os regentes do Mistério Guardião e suas hierarquias não são formadas por Orixás opostos em níveis vibratórios e polos magnéticos opostos, como acontece com os outros. Não, senhores!

Ogum e Iansã formam hierarquias verticais retas ou sequenciais, sem quebra de “estilo”, pois todos os Oguns, sejam regentes dos polos positivos, dos neutros ou tripolares ou dos negativos, todos atuam da mesma forma e movidos por um único sentido: são aplicadores da Lei!

Todo Ogum é um aplicador da Lei e age com a mesma inflexibilidade, rigidez e firmeza, pois não se permite outra conduta alternativa.

Onde estiver Ogum, lá estarão os olhos da Lei, mesmo que seja um “Caboclo” de Ogum, avesso às condutas liberais dos frequentadores das tendas de Umbanda, sempre atento ao desenrolar dos trabalhos realizados, tanto pelos médiuns quanto pelos espíritos incorporadores.

Dizemos que Ogum é, em si mesmo, os atentos olhos da Lei, sempre vigilante, marcial e pronto para agir onde lhe for ordenado.

A hierarquia reta de Ogum, dentro da Umbanda, é composta de vinte e um Oguns regentes de polos magnéticos.

Sete polos são positivos.
Sete polos são negativos, mas não são opostos aos positivos.
Sete são tripolares e assentados na faixa neutra, que é horizontal.

Cada  um destes sete Oguns tripolares assentados na faixa neutra, cada polo em sintonia vibratória com uma das sete linhas de forças verticais, e são eles que direcionam os seres elementais, encantados, naturais e mesmo os espíritos da dimensão humana da evolução.

São multidimensionais e estão (projetam-se) em todas as faixas neutras, sejam elas puras, bi, tri, tetra ou penta elementais.

As hierarquias destes sete Oguns naturais intermediários tripolares são gigantescas e impossíveis de serem quantificadas por causa do imenso número de seres incorporados a elas.

Só para que tenham ideia do que estamos comentando, saibam que o tripolar Ogum da “Água” projeta-se em Ogum Marinho, Ogum Sete Ondas e Ogum Beira-Mar. O Ogum da Terra projeta-se em Ogum Megê, Ogum das Passagens e Ogum de Ronda. O Ogum dos Minerais projeta-se em Ogum das Pedras, Ogum do Ferro e Ogum Sete Correntes (minerais).

Vamos parar por aqui, pois já viram como se desdobram estes Oguns tripolares, certo?

Saibam que eles se projetam na horizontal (direita e esquerda) e na vertical (para cima e para baixo), e encaminham os seres que devem seguir uma dessas direções a partir das faixas neutras.

Dizemos que Ogum é sinônimo de lei e de ordem porque ele tanto aplica a Lei quanto ordena a evolução dos seres, não permitindo que alguém tome a direção errada. Por isso, ele é chamado de “O Senhor dos Caminhos” (das direções).

E o mesmo acontece com Iansã, pois ela também é aplicadora da Lei e ordenadora dos seres. Porém, é maleável e também atua por intermédio do emocional dos seres.

Bom, já comentamos que Ogum forma uma hierarquia reta ou sequencial, pois a Lei é reta e rígida onde quer que seja. Ogum não julga nada ou ninguém, esta atribuição é de Xangô. Ele aplica os princípios da Lei e ordena (direciona) os seres, e ponto final! Iansã é Lei e é mãe, portanto, é maleável até um certo ponto e atua no emocional dos seus “filhos”. Já Ogum, bem, ele é pai e é rigoroso ao extremo com seus “filhos”. É sua natureza reta, e assim ele é.

Vamos mostrar os Oguns dos polos positivos, os Oguns da faixa neutra e os Oguns das fixas negativas, pois a hierarquia do Orixá maior Ogum não é formada por polos magnéticos opostos, mas sim sequenciais.
Saibam que a Lei é reta e tudo que for “oposto” a ela deve ser anulado por Ogum, pois a Lei é ordem em todos os sentidos.

Vamos às hierarquias intermediárias retas, do Orixá Ogum:

·         1° Ogum: é o Ogum Cristalino, ou Ogum da Lei e da Fé. Ele surge no 1° polo magnético positivo, formado pela corrente eletromagnética cristalina, regida pelo Orixá Oxalá (Orixa da Fé).
·         2° Ogum; é o Ogum Mineral, ou Ogum da Concepção e do Amor. Ele surge no 2° polo magnético positivo, formado pela corrente eletromagnética mineral, regida pela Orixá Oxum (Orixá do Amor e da Concepção).
·         3° Ogum: é o Ogum Vegetal, ou Ogum do Conhecimento. Ele surge no 3° polo magnético positivo, formado pela corrente eletromagnética vegetal, regida pelo Orixá Oxóssi (Orixá do Conhecimento).
·         4° Ogum: é o Ogum do Fogo, ou Ogum da Justiça. Ele surge no 4° polo magnético positivo, formado pela corrente eletromagnética ígnea, regida por Xangô (Orixá da Justiça).
·         5° Ogum: é o Ogum eólico, ou Ogum do Ar. Ele surge a partir do 5° polo magnético, formado do entrecruzamento da corrente eletromagnética eólica, regida pelo Orixá Ogum (Orixá da Lei).
·         6° Ogum: é o Ogum Telúrico, ou Ogum da Evolução. Ele surge no 6° polo magnético positivo, formado pela corrente eletromagnética telúrica, regida pelo Orixá Obaluaiê (Orixá da Evolução).
·         7° Ogum: é o Ogum Aquático ou Ogum da Geração. Ele surge a partir do 7° polo magnético, formado pelo entrecruzamento da corrente eletromagnética aquática, regida pela Orixá Iemanjá (Orixá da Geração).
Os sete Oguns tripolares atuam nas faixas neutras onde se iniciam ou se processam os estágios da evolução.
Todas as dimensões possuem uma faixa chamada de neutra porque é nesta faixa vibratória que os seres estacionam por muito tempo e a partir dela desenvolvem uma natureza positiva, negativa ou neutra.

Positiva = passiva
Negativa = ativa
Neutra = pode se direcionar para onde desejar.

Lembrem-se de que a natureza não é energia ou magnetismo, certo?

Bem, o fato é que estes sete Oguns estão assentados em Tronos Energéticos tripolares e formam a hierarquia horizontal do Divino Guardião da Lei, e se multiplicam por três, formando a hierarquia divina denominada de “Vinte e Um Guardiões da Lei”.

Os Oguns que atuam no Ritual de Umbanda Sagrada saem desta hierarquia, pois os espíritos ou seres humanos são tripolares, ou seja, trazem em seu mental um polo magnético positivo, um negativo e um neutro. Por isso, somos vistos pelos Orixás como seres muito especiais. Afinal, trazemos em nosso mental a capacidade de reagirmos às situações mais adversas possíveis, desde que nos mantenhamos em equilíbrio emocional, magnético, energético e vibratório.

Os seres que mais se aproximam de nós são os naturais tripolares (Oguns e Iansãs naturais) e os Exus e pombajiras naturais, que são neutros e negativos.

Os Exus e pombajiras naturais, caso não saibam, são seres que não desenvolveram o magnetismo positivo e passivo, e por isso são direcionados para dimensões distintas da dimensão humana, pois lhes falta este nosso magnetismo positivo passivo e “racional”.

O magnetismo mental negativo é emocional.
O magnetismo mental positivo é racional.
O magnetismo neutro é equilibrador dos dois outros polos magnéticos.

Bom, esses sete Oguns, junto com as sete Iansãs tripolares, formam a mais numerosa hierarquia divina existente em nosso multidimensional planeta Terra.

Vamos nominá-las só com os nomes dos elementos onde atuam, certo? Mais que isso, não nos é permitido revelar.

·         1° Ogum tripolar à Ogum do Cristal (Ogum Matinata)
·         2° Ogum tripolar à Ogum do Mineral (Ogum das Cachoeiras)
·         3° Ogum tripolar à Ogum do Vegetal (Ogum Rompe-Matas)
·         4° Ogum tripolar à Ogum do Fogo (Ogum de Lei)
·         5° Ogum tripolar à Ogum do Ar (Ogum Ventania)
·         6° Ogum tripolar à Ogum da Terra (Ogum Megê)
·         7° Ogum tripolar à Ogum da Água (Ogum Marinho)

Agora vamos dar os sete Oguns cósmicos ou Oguns que atuam nos polos magnéticos que surgem do entrecruzamento das linhas de forças verticais (irradiações) com as correntes eletromagnéticas (vibrações).

·         1° Ogum cósmico: é o Ogum do Tempo e surge no 1° nível vibratório negativo onde surge o 1° polo magnético negativo, formado pelo entrecruzamento da corrente eletromagnética cristalina negativa, regida pela Orixá Oiá (Orixá do Tempo e da Religiosidade).
·         2° Ogum cósmico: é o Ogum Sete Cobras ou Sete Caminhos. Ele surge no 2° polo magnético negativo, formado pelo entrecruzamento da corrente eletromagnética mineral negativa, regida pelo Orixá Oxumaré (Orixá da Renovação ou da Sexualidade).
·         3° Ogum cósmico: é o Ogum Rompe-Solo. Ele surge no 3° polo magnético, formado pelo entrecruzamento da corrente eletromagnética telúrica negativa, regida pela Orixá Obá (Orixá do Conhecimento).
·         4° Ogum cósmico: é o Ogum Rompe-Nuvens. Ele surge no 4° polo magnético negativo, formado pelo entrecruzamento da corrente eletromagnética eólica negativa, regida pela Orixá Iansã (Orixá do Lei).
·         5° Ogum cósmico: é o Ogum Corta-Fogo. Ele surge no 5° polo magnético, formado pelo entrecruzamento da corrente eletromagnética ígnea negativa, regida pela Orixá Egunitá (Orixá da Justiça).
·         6° Ogum cósmico: é o Ogum Sete-Lagoaso. Ele surge no 6° polo magnético negativo, formado pelo entrecruzamento da corrente eletromagnética negativa, regida por Nanã Buruquê, que é uma Orixá mista (terra e água) e é a regente do polo negativo da linha da Evolução.
·         7° Ogum cósmico: é o Ogum Naruê. Ele surge no 7° polo magnético negativo, formado pelo entrecruzamento da corrente eletromagnética telúrica negativa, regida pelo Orixá Omulu, Orixá regente do polo negativo da linha da Geração.

Estes sete Oguns cósmicos atuam nas faixas vibratórias negativas como ordenadoras dos seres que optaram pela evolução cósmica, absorvente, concentradora e monocromática. Estes seres não são irradiadores de luzes coloridas, mas têm uma cor concentrada, seus densos magnetismos os tornam retos nos procedimentos e eles só se desenvolvem em um dos sete sentidos capitais.

Estes Oguns assumiram na Umbanda, a missão de formar linhas de “Exus de Lei” compostas por espíritos humanos caídos nas trevas humanas ou em faixas vibratórias negativas da dimensão humana.

Agregados a estas linhas de “Exus de Lei”, milhões de espíritos humanos afastados da faixa neutra e paralisados nos níveis vibratórios negativos puderam retomar, ordenadamente e jungidos aos mistérios cósmicos da divindade “X”, que lhes dá sustentação enquanto se mantiverem nos limites reservados para eles pela Lei (Ogum),

A divindade X (inominada) é um Orixá cósmico que rege a dimensão negativo-neutra onde vivem os Exus naturais. O divino guardião cósmico desta dimensão natural, e guardião dos mistérios da divindade X, é o Mehor-iim-yê ou Mehor yê, o guardião cósmico que polariza com o divino Ogum nos polos masculinos da linha de forças que forma o mistério “Guardião da Lei”.

Em livros anteriores, já bordamos o mistério “Mehor yê”, assim como o seu polo correspondente feminino, que é a divina Ma-hór-iim-yê, ou Mahor yê, a divindade cósmica que polariza com a Orixá Oxum. Mahor yê rege sobre os desejos e o mistério “Pombajira de Lei”, fundamentado nos seres femininos que só desenvolveram o magnetismo mental neutro e o negativo.

Mais do que isso, não podemos revelar a respeito dos Orixás cósmicos, sejam Oguns ou qualquer outro. Saibam que, nas linhas de Lei mistas, cujos Caboclos e Exus respondem pelos mesmos nomes simbólicos que demos aos Orixás Oguns regentes dos polos magnéticos negativos, todos eles são regidos por Orixás Oguns cósmicos que respondem pelos mesmos nomes e são bipolares, atuando tanto na direita (Caboclos) quanto na esquerda (Exus). Mas estes Oguns cósmicos intermediadores só atuam nas linhas horizontais (direita e esquerda), e nunca nas linhas verticais (alto e embaixo).

Saibam que estes Oguns bipolares (positivos e negativos) serviram como modelo para o Ritual de Umbanda Sagrada quando ele foi idealizado para acelerar a evolução espiritual por meio de um processo religioso, que desembocou no surgimento da Umbanda no plano material. No triângulo da Umbanda, em uma de suas interpretações (pois há outras), o alto é o Orixá, à direita estão os Caboclos(as) e à esquerda estão os Exus (pombajiras).




Bom, o que nos foi permitido comentar a respeito do Orixá Ogum, já comentamos. Logo, leiam e releiam com atenção tudo o que aqui está colocado e temos certeza de que muitos mistérios fechados, até agora, começarão a abrir-se para vocês, os estudiosos dos mistérios “Orixás”, os Tronos Regentes da evolução dos seres, das criaturas e das espécies.


Retirado do livro "Código de Umbanda" de Rubens Saraceni

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