23 de abr de 2011

Faz parte do meu show


"Ninguém precisa esperar tornar-se santo ou resolver-se intimamente para, só então, trabalhar em favor de algo nobre, que valha a pena, ou em favor de alguém. É possível empreender desde já o trabalho, com os recursos disponíveis em cada momento e, desse modo obter continuamente a capacitação para tarefas mais complexas, mais amplas.”

 



De fácil compreensão e com a participação de personagens famosos, como Chacrinha e Raul Seixas, “Faz parte do meu show” é um livro recomendável principalmente àqueles que ainda não estão familiarizados com as leituras espíritas. Ainda assim, na forma de narrativa em primeira pessoa, o personagem principal nos oferta uma série de informações da vida pós-morte que não estão presentes em outros livros do gênero. Assuntos como a sexualidade, o abuso das drogas e a violência encontram sua correspondência espiritual e suas consequências antes e pós desencarne, e são compreendidas pelo autor, que nos ensina à medida que aprende, compartilhando (para utilizar um termo atual) sua experiência com o leitor. 

No livro, o espírito que - embora não se identifique - podemos identificar como o músico e poeta Cazuza, descreve seus primeiros momentos após o desencarne, suas descobertas, o encontro com inúmeros colegas desencarnados e sua adaptação, trabalhando junto àqueles que apresentam envolvimentos semelhantes aos que ele próprio desenvolveu ao longo de sua mais recente encarnação. Tudo isto com a ajuda do espírito Ângelo Inácio e do médium Robson Pinheiro.





Selecionei alguns trechos do livro que julgo trazerem informações importantes, em um resumo técnico, retirado dos diálogos que permeiam o “romance espiritual”.



Do trabalho espiritual

“É da lei divina que os semelhantes auxiliem a si próprios na elevação espiritual”.
“Foi ali que descobri como funcionam as leis da vida. Podemos ficar anos e anos lamentando e sofrendo, mergulhados em nossa culpa, ou, ao invés disso, aproveitar as oportunidades da vida para trabalhar muito. Assim, à medida que caminhamos, encontramos solução para os eventuais problemas que todos trazemos dentro de nós, paulatinamente. Ninguém precisa esperar tornar-se santo ou resolver-se intimamente para, só então, trabalhar em favor de algo nobre, que valha a pena, ou em favor de alguém. É possível empreender desde já o trabalho, com os recursos disponíveis em cada momento e, desse modo obter continuamente a capacitação para tarefas mais complexas, mais amplas. O próprio trabalho, segundo pude aprender com a equipe do Frei Luiz, é a terapêutica por excelência; à medida que trabalhamos, resolvemo-nos diariamente, sem cobrança de perfeição.”

“Vi que muitos espíritos em situação moral semelhante à minha entregavam-se há anos intermináveis de lamentável angústia. Traziam, como eu, a consciência culpada; todavia, não se abriam para novas oportunidades de trabalho e, conseqüentemente, para receberem novas formas de auxílio.”
 

Da reencarnação

“Foi num desses dias que o Santuário recebeu uma equipe de espíritos samaritanos, que conduziam 14 outros espíritos em estado lastimável. Eram antigos membros do narcotráfico, que morreram de maneira brusca, violenta e complicada em um enfrentamento de grandes proporções nos morros do Rio de Janeiro. Minha atenção foi despertada juntamente com uma curiosidade sem limites”.

“Frei Luiz, o espírito responsável pelas atividades naquele lar, convidou-me a acompanhá-lo na recepção aos recém-desencarnados. Tais espíritos traziam a aparência de mendigos espirituais. Vestiam-se com trajes sujos e rotos; odor forte e desagradável emanava de cada um deles. Estremeci assim que me aproximei dos espíritos. Frei Luiz me amparou através de seu olhar profundo, cheio de equilíbrio.”

“Notei que esses seres pareciam vagar sem saber para onde iam. Talvez nem soubessem que haviam morrido para o mundo. Quem os visse certamente associaria sua aparência com aqueles filmes de terror que mostravam os chamados mortos-vivos. Era horripilante. Comportavam-se como zumbis.”

“Frei Luiz aproximou-se de cada um, falando baixinho nos ouvidos deles, locava de leve a cabeça de cada espírito, como a fazer um carinho, talvez um cafuné, mas eles não lhe registravam a presença. Apenas caminhavam, conduzidos por um samaritano. Frei Luiz beijou a face de um por um e os deixou seguir.”

“- Esses, meu filho - principiou o mentor -, são espíritos dementados e seriamente afetados em seu psiquismo mais profundo, devido ao grande mal que causaram aos seus semelhantes. Acostumados apenas a questões materiais, ligados ao poder e ao dinheiro, nem sequer sonham com a possibilidade de uma vida espiritual. É nosso dever ampará-los e conduzi-los ao internamento imediato.”

“- Então receberão tratamento médico-espiritual e depois serão esclarecidos quanto à sua situação de desencarnados?”

“- Não é tão simples assim, meu filho. O único tratamento eficaz para eles é a reencarnação. Serão conduzidos a novos corpos físicos. No caso de espíritos como esses que ora recebemos, que se especializaram no tráfico de drogas e no desrespeito total à vida, é necessário um corretivo social, internados em corpos físicos. Naturalmente que não retornarão ao mesmo meio de onde vieram, pois assim poderiam prejudicar novamente a comunidade à qual se vincularão. Experimentarão situação social compatível com a sua necessidade de reeducação.”

“- E onde espíritos assim poderão reencarnar para se corrigir ou educar?”

“- Passarão primeiramente por um breve tratamento magnético e somente após essa etapa poderão ser encaminhados a seus novos corpos. Onde? No caso específico desses irmãos, renascerão como mulheres, nos países árabes. Lá, sob o regime austero que vigora em certas nações, e por imposição da sociedade e da cultura a que estarão vinculados, enfrentarão as duras provas que promoverão o reajuste necessário. Somente bem mais tarde, após várias peregrinações nessas condições, é que poderão retornar ao clima espiritual do Brasil.”

“Esta, a razão pela qual o internamento em novos corpos físicos, através da reencarnação, será a terapia emergencial à qual fazem jus. Há outro aspecto envolvendo o caso desses traficantes. Ao reencarnarem em país distante do atual, em corpos femininos e "disfarçados" em meio a uma sociedade exigente, religiosa e austera, estarão também temporariamente escondidos de seus próprios obsessores particulares. Como você pode notar, todo o contexto reencarnatório, inclusive o ambiente cultural bastante diverso, foi planejado em detalhes, pois essa é uma etapa que merece cuidados especiais com vistas à reeducação de tais espíritos.”
 

O Sexo

“Passar para o outro plano da vida, pura e simplesmente, não implica que o ser se encontre em plena vivência da espiritualidade. De modo algum. Consideradas as questões vibracionais, logo após o plano físico encontramos a dimensão das emoções. É o chamado plano astral, onde se externa do espírito todo o atavismo milenar registrado em seu corpo espiritual. Comer, beber, dormir, fazer sexo são situações vividas durante milhares de anos nas diversas experiências reencarnatórias. Quando vêm para o lado de cá, na dimensão onde nos encontramos, é natural que os corpos espirituais tragam impressos em sua memória todas as experiências vivenciadas pelo ser. Tornam-se, assim, compreensíveis as sensações de fome e de sede, os desejos e os impulsos de sexualidade, que são gerados e elaborados na intimidade do espírito. No fim das contas...”

“- Quer dizer que o sexo não é algo pecaminoso? - não me contive e o interrompi.”

“- Claro que não! Nunca foi pecado e jamais o será! Por mais que preceitos moralistas, sustentados por indivíduos imaturos de todas as épocas, procurem transformar aquilo que Deus criou em erro, vergonha ou motivo de escárnio. Do lado de cá, o pensamento é tudo, e, já que a memória espiritual guarda os registros de todas as experiências...”

“- Vocês então vêem com naturalidade as manifestações do desejo entre os desencarnados? - novamente intervim na explicação de Tony, intrigado com o que acabara de ouvir.”

“- Podemos dizer: é algo tido como natural entre os recém-desencarnados. À medida que o espírito se libera das impressões sensoriais de sua última existência, o corpo espiritual reflete imediatamente a nova situação mental. Sexo é transfusão de energias, seja entre encarnados ou desencarnados. Os religiosos é que geralmente transformam o sexo em tabu ou em algo proibido, profano.”

“- Então posso considerar natural eu sentir as mesmas reações que sentia quando vivo?”

“- Vivo você permanece, como permanece viva na Terra a memória daquilo que você fez e de quem você foi, a sua arte e a sua obra. As reações de fome, sede e sexualidade só se manifestam do lado de cá enquanto estamos nas faixas de vibração próximas à da Crosta. Como lhe disse antes, ao atingir a condição de espiritualidade o ser transcende a função dos órgãos que ainda ostentamos em nosso corpo espiritual.”

“- E por quanto tempo mais ficarei nessa vibração próxima à da Terra?”

“- Só Deus sabe, meu amigo. Todos nós estagiamos no plano astral, às vezes por longos milênios, até que aprendamos o desapego da vida material.”


Sexo - As formas pensamentos e os obsessores

“Àquela hora, no princípio da noite, garotas e garotos de programa iam e vinham, muitos deles exibindo o próprio corpo, que punham à venda. Alguns rapazes menos vulgares traziam os olhos afogueados pela paixão por sexo. Travestis e alguns "entendidos", como se dizia antigamente, pareciam disputar a preferência de homens que os procuravam para a satisfação de seu apetite sexual. Permeando tudo e todos naquele local, vi uma nuvem escura, que dava a impressão de descer lentamente, de modo mais intenso sobre algumas pessoas em especial. Naquele mesmo instante, a névoa cinza-chumbo que a compunha era aspirada através dos poros e da respiração daqueles indivíduos.”

“O que você vê, meu amigo, é o resultado das criações mentais viciadas e viciantes. São larvas e bactérias, astralinas e vibriões mentais que os nossos amigos encarnados respiram juntamente com o ar que inalam.”

“O mundo está cheio de criações mentais dos seres humanos, e cada um respira de acordo com o clima psíquico que lhe é próprio. Ao lado das pessoas que divisava, dos garotos e garotas de programa que permaneciam a disputar clientes como quem caça suas presas, sem sequer cogitar o que ocorria, presenciávamos uma cena lastimável: espíritos em estado deplorável, uma verdadeira multidão de seres agrupados de acordo com suas afinidades. Alguns andavam, outros se arrastavam ou rastejavam sem o corpo físico, com terrível aspecto de mendigos espirituais. Pareciam conviver em harmonia com os humanos encarnados.”

“Os espíritos pareciam alheios a qualquer conceito de pudor e, muito menos, elevação moral. Grudavam-se às pessoas ali presentes, sugando-lhes as emanações etílicas e sensuais, tais como vampiros, ávidos pela energia sexual. Indiferentes à idéia da imortalidade ou a maiores responsabilidades, esses seres, invisíveis aos olhos humanos, praticavam atos sexuais entre si. Comportavam-se de tal maneira a influenciar os encarnados, que, aos poucos, cediam a seus estímulos. Na verdade, em alguns casos a simbiose era tamanha que se tornava difícil distinguir onde iniciava o impulso de um e terminava desejo do outro.”

“Dirigi-me instintivamente a uma outra parte da boate. Era um cômodo escuro e fétido. Talvez os encarnados que lá procuravam o prazer fácil nem sentissem o mal cheiro que o local exalava, mas era algo físico, tenho certeza. O chão estava repleto de criações mentais que, a meus olhos, assemelhavam-se a baratas. Os encarnados pisavam em tudo, e, à medida que o faziam, tais criações subiam-lhes pelos pés e pernas, alimentando-se de seus fluidos vitais. As paredes, pegajosas, pareciam absorver as emoções ou anular o poder de raciocínio. Era a embriaguez no mais alto grau, mais pela energia sexual que pelas drogas e bebidas, que ali rolavam à vontade.”

“Naquela sala totalmente escura aos olhos humanos, ninguém era de ninguém. Era um ambiente que os encarnados conheciam pelo nome de darkroom, devido à total ausência de luz. Todos se possuíam sem se ver, e eram levados à loucura.”
 

Consequências

“O amor carnal é ainda, com seus prazeres, um dos mais irresistíveis anseios da humanidade. A música, as luzes, o brilho e a fumaça do ambiente compõem uma atmosfera repleta de certa magia, segundo o ponto de vista dos encarnados, que dispersa qualquer sentimento ou propensão mais elevada. As boates são construídas e elaboradas com esse objetivo em mente. Caso não se procure sair imediatamente de tal lugar, sucumbe-se logo ao império dos sentidos e das emoções. 
Torna-se difícil escapar às sensações mais grosseiras. A energia sensual emanada nesses ambientes assemelha-se ao forte magnetismo de um ímã ao atrair as limalhas de ferro. Só que, nesse caso, as limalhas correspondem às vibrações mais densas e às entidades que têm afinidade com elas.”

“A sexualidade, quando perturbada, arroja o ser para faixas inferiores da vida. Tais pessoas, que se deixam dominar pelos excessos e perturbações de suas energias sexuais, não cometem crime algum. No entanto, aqueles que assim se comportam ligam-se às energias desgovernadas e às companhias espirituais de seus parceiros. “

“Dessa forma, sujeitam-se a longos processos obsessivos. Quanto mais dão vazão a todo tipo de extravasamento descontrolado da libido, o qual costuma traduzir-se em promiscuidade, mais são submetidos a impactos espirituais de grandes proporções. É uma violência. Regularmente, passam a entrar em contato com vibrações tão variadas e funestas, com entidades tão diversas e viciadas que, em casos mais graves e duradouros, apresentam a tendência de ter a individualidade descaracterizada. O eu fica perdido em meio a tantos parceiros, conluios espirituais e formas-pensamento desvitalizantes.”

“A energia sexual do ser sofre desgaste ao longo do tempo, e, progressivamente, esse desperdício de energias vitais acaba enfraquecendo o corpo e a mente. Excitada por uma enorme quantidade de imagens sexuais, a mente vibra intensamente, reproduzindo no corpo e no campo vital o ritmo da sobrecarga sexual. A vida pede reeducação, e não simplesmente abstenção. Cada qual, de posse da forma de manifestação do seu amor ou da sua energia sexual, é responsável pelo uso ou abuso que fizer desses elementos. Compete a cada um dar direcionamento superior à divina faculdade que lhe foi concedida, a sexualidade, assim como ao divino patrimônio que lhe foi confiado: os corpos, a mente e certa cota de vitalidade.”

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