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23 de abr. de 2012

Ogum – Orixá Regente do polo positivo da linha da Lei


Ogum é o Orixá da Lei e seu campo de atuação é a linha divisória entre a razão e a emoção. É o Trono Regente das milícias celestes, guardiãs dos procedimentos dos seres em todos os sentidos.


Ogum é sinônimo de lei e ordem e seu campo de atuação é a ordenação dos processos e dos procedimentos.

O Trono da Lei é eólico e, ao irradiar-se, cria a linha pura do ar elemental, já com dois polos magnéticos ocupados por Orixás diferenciados em todos os polos. O polo magnético positivo é ocupado por Ogum e o polo magnético negativo por Iansã.

Esta linha eólica pura dá sustentação a milhões de seres elementais do ar, até que eles estejam aptos a entrar em contato com seu segundo elemento. Uns têm como segundo elemento o fogo, outros têm na água o segundo elemento, etc.

Portanto, na linha pura do “ar elemental” só temos Ogum e Iansã como regentes.

Mas se estes dois Orixás são aplicadores da Lei (porque sua natureza é ordenadora), então eles projetam-se e dão início às suas hierarquias naturais; aquelas que nos chegam por meio da Umbanda.

Os Orixás Regentes destas hierarquias de Ogum e Iansã são Orixás Intermediários ou regentes dos níveis  vibratórios da linha de forças da Lei.

Saibam que Oxalá tem sete Orixás Oxalás positivos e outros sete negativos que são seus opostos, e sete Orixás neutros; Oxum tem sete Orixás Oxuns positivas e outras sete negativas que são suas opostas; Oxóssi tem sete Orixás Oxóssis positivos, sete negativos que são seus opostos e outros que formam uma hierarquia vegetal neutra e fechada ao conhecimento humano material; Xangô tem sete Orixás Xangôs positivos e sete negativos que são seus opostos. E o mesmo acontece com Obaluaiê e Iemanjá.

Agora, a respeito de Ogum e Iansã, estes dois Orixás são os regentes do Mistério Guardião e suas hierarquias não são formadas por Orixás opostos em níveis vibratórios e polos magnéticos opostos, como acontece com os outros. Não, senhores!

Ogum e Iansã formam hierarquias verticais retas ou sequenciais, sem quebra de “estilo”, pois todos os Oguns, sejam regentes dos polos positivos, dos neutros ou tripolares ou dos negativos, todos atuam da mesma forma e movidos por um único sentido: são aplicadores da Lei!

Todo Ogum é um aplicador da Lei e age com a mesma inflexibilidade, rigidez e firmeza, pois não se permite outra conduta alternativa.

Onde estiver Ogum, lá estarão os olhos da Lei, mesmo que seja um “Caboclo” de Ogum, avesso às condutas liberais dos frequentadores das tendas de Umbanda, sempre atento ao desenrolar dos trabalhos realizados, tanto pelos médiuns quanto pelos espíritos incorporadores.

Dizemos que Ogum é, em si mesmo, os atentos olhos da Lei, sempre vigilante, marcial e pronto para agir onde lhe for ordenado.

A hierarquia reta de Ogum, dentro da Umbanda, é composta de vinte e um Oguns regentes de polos magnéticos.

Sete polos são positivos.
Sete polos são negativos, mas não são opostos aos positivos.
Sete são tripolares e assentados na faixa neutra, que é horizontal.

Cada  um destes sete Oguns tripolares assentados na faixa neutra, cada polo em sintonia vibratória com uma das sete linhas de forças verticais, e são eles que direcionam os seres elementais, encantados, naturais e mesmo os espíritos da dimensão humana da evolução.

São multidimensionais e estão (projetam-se) em todas as faixas neutras, sejam elas puras, bi, tri, tetra ou penta elementais.

As hierarquias destes sete Oguns naturais intermediários tripolares são gigantescas e impossíveis de serem quantificadas por causa do imenso número de seres incorporados a elas.

Só para que tenham ideia do que estamos comentando, saibam que o tripolar Ogum da “Água” projeta-se em Ogum Marinho, Ogum Sete Ondas e Ogum Beira-Mar. O Ogum da Terra projeta-se em Ogum Megê, Ogum das Passagens e Ogum de Ronda. O Ogum dos Minerais projeta-se em Ogum das Pedras, Ogum do Ferro e Ogum Sete Correntes (minerais).

Vamos parar por aqui, pois já viram como se desdobram estes Oguns tripolares, certo?

Saibam que eles se projetam na horizontal (direita e esquerda) e na vertical (para cima e para baixo), e encaminham os seres que devem seguir uma dessas direções a partir das faixas neutras.

Dizemos que Ogum é sinônimo de lei e de ordem porque ele tanto aplica a Lei quanto ordena a evolução dos seres, não permitindo que alguém tome a direção errada. Por isso, ele é chamado de “O Senhor dos Caminhos” (das direções).

E o mesmo acontece com Iansã, pois ela também é aplicadora da Lei e ordenadora dos seres. Porém, é maleável e também atua por intermédio do emocional dos seres.

Bom, já comentamos que Ogum forma uma hierarquia reta ou sequencial, pois a Lei é reta e rígida onde quer que seja. Ogum não julga nada ou ninguém, esta atribuição é de Xangô. Ele aplica os princípios da Lei e ordena (direciona) os seres, e ponto final! Iansã é Lei e é mãe, portanto, é maleável até um certo ponto e atua no emocional dos seus “filhos”. Já Ogum, bem, ele é pai e é rigoroso ao extremo com seus “filhos”. É sua natureza reta, e assim ele é.

Vamos mostrar os Oguns dos polos positivos, os Oguns da faixa neutra e os Oguns das fixas negativas, pois a hierarquia do Orixá maior Ogum não é formada por polos magnéticos opostos, mas sim sequenciais.
Saibam que a Lei é reta e tudo que for “oposto” a ela deve ser anulado por Ogum, pois a Lei é ordem em todos os sentidos.

Vamos às hierarquias intermediárias retas, do Orixá Ogum:

·         1° Ogum: é o Ogum Cristalino, ou Ogum da Lei e da Fé. Ele surge no 1° polo magnético positivo, formado pela corrente eletromagnética cristalina, regida pelo Orixá Oxalá (Orixa da Fé).
·         2° Ogum; é o Ogum Mineral, ou Ogum da Concepção e do Amor. Ele surge no 2° polo magnético positivo, formado pela corrente eletromagnética mineral, regida pela Orixá Oxum (Orixá do Amor e da Concepção).
·         3° Ogum: é o Ogum Vegetal, ou Ogum do Conhecimento. Ele surge no 3° polo magnético positivo, formado pela corrente eletromagnética vegetal, regida pelo Orixá Oxóssi (Orixá do Conhecimento).
·         4° Ogum: é o Ogum do Fogo, ou Ogum da Justiça. Ele surge no 4° polo magnético positivo, formado pela corrente eletromagnética ígnea, regida por Xangô (Orixá da Justiça).
·         5° Ogum: é o Ogum eólico, ou Ogum do Ar. Ele surge a partir do 5° polo magnético, formado do entrecruzamento da corrente eletromagnética eólica, regida pelo Orixá Ogum (Orixá da Lei).
·         6° Ogum: é o Ogum Telúrico, ou Ogum da Evolução. Ele surge no 6° polo magnético positivo, formado pela corrente eletromagnética telúrica, regida pelo Orixá Obaluaiê (Orixá da Evolução).
·         7° Ogum: é o Ogum Aquático ou Ogum da Geração. Ele surge a partir do 7° polo magnético, formado pelo entrecruzamento da corrente eletromagnética aquática, regida pela Orixá Iemanjá (Orixá da Geração).
Os sete Oguns tripolares atuam nas faixas neutras onde se iniciam ou se processam os estágios da evolução.
Todas as dimensões possuem uma faixa chamada de neutra porque é nesta faixa vibratória que os seres estacionam por muito tempo e a partir dela desenvolvem uma natureza positiva, negativa ou neutra.

Positiva = passiva
Negativa = ativa
Neutra = pode se direcionar para onde desejar.

Lembrem-se de que a natureza não é energia ou magnetismo, certo?

Bem, o fato é que estes sete Oguns estão assentados em Tronos Energéticos tripolares e formam a hierarquia horizontal do Divino Guardião da Lei, e se multiplicam por três, formando a hierarquia divina denominada de “Vinte e Um Guardiões da Lei”.

Os Oguns que atuam no Ritual de Umbanda Sagrada saem desta hierarquia, pois os espíritos ou seres humanos são tripolares, ou seja, trazem em seu mental um polo magnético positivo, um negativo e um neutro. Por isso, somos vistos pelos Orixás como seres muito especiais. Afinal, trazemos em nosso mental a capacidade de reagirmos às situações mais adversas possíveis, desde que nos mantenhamos em equilíbrio emocional, magnético, energético e vibratório.

Os seres que mais se aproximam de nós são os naturais tripolares (Oguns e Iansãs naturais) e os Exus e pombajiras naturais, que são neutros e negativos.

Os Exus e pombajiras naturais, caso não saibam, são seres que não desenvolveram o magnetismo positivo e passivo, e por isso são direcionados para dimensões distintas da dimensão humana, pois lhes falta este nosso magnetismo positivo passivo e “racional”.

O magnetismo mental negativo é emocional.
O magnetismo mental positivo é racional.
O magnetismo neutro é equilibrador dos dois outros polos magnéticos.

Bom, esses sete Oguns, junto com as sete Iansãs tripolares, formam a mais numerosa hierarquia divina existente em nosso multidimensional planeta Terra.

Vamos nominá-las só com os nomes dos elementos onde atuam, certo? Mais que isso, não nos é permitido revelar.

·         1° Ogum tripolar à Ogum do Cristal (Ogum Matinata)
·         2° Ogum tripolar à Ogum do Mineral (Ogum das Cachoeiras)
·         3° Ogum tripolar à Ogum do Vegetal (Ogum Rompe-Matas)
·         4° Ogum tripolar à Ogum do Fogo (Ogum de Lei)
·         5° Ogum tripolar à Ogum do Ar (Ogum Ventania)
·         6° Ogum tripolar à Ogum da Terra (Ogum Megê)
·         7° Ogum tripolar à Ogum da Água (Ogum Marinho)

Agora vamos dar os sete Oguns cósmicos ou Oguns que atuam nos polos magnéticos que surgem do entrecruzamento das linhas de forças verticais (irradiações) com as correntes eletromagnéticas (vibrações).

·         1° Ogum cósmico: é o Ogum do Tempo e surge no 1° nível vibratório negativo onde surge o 1° polo magnético negativo, formado pelo entrecruzamento da corrente eletromagnética cristalina negativa, regida pela Orixá Oiá (Orixá do Tempo e da Religiosidade).
·         2° Ogum cósmico: é o Ogum Sete Cobras ou Sete Caminhos. Ele surge no 2° polo magnético negativo, formado pelo entrecruzamento da corrente eletromagnética mineral negativa, regida pelo Orixá Oxumaré (Orixá da Renovação ou da Sexualidade).
·         3° Ogum cósmico: é o Ogum Rompe-Solo. Ele surge no 3° polo magnético, formado pelo entrecruzamento da corrente eletromagnética telúrica negativa, regida pela Orixá Obá (Orixá do Conhecimento).
·         4° Ogum cósmico: é o Ogum Rompe-Nuvens. Ele surge no 4° polo magnético negativo, formado pelo entrecruzamento da corrente eletromagnética eólica negativa, regida pela Orixá Iansã (Orixá do Lei).
·         5° Ogum cósmico: é o Ogum Corta-Fogo. Ele surge no 5° polo magnético, formado pelo entrecruzamento da corrente eletromagnética ígnea negativa, regida pela Orixá Egunitá (Orixá da Justiça).
·         6° Ogum cósmico: é o Ogum Sete-Lagoaso. Ele surge no 6° polo magnético negativo, formado pelo entrecruzamento da corrente eletromagnética negativa, regida por Nanã Buruquê, que é uma Orixá mista (terra e água) e é a regente do polo negativo da linha da Evolução.
·         7° Ogum cósmico: é o Ogum Naruê. Ele surge no 7° polo magnético negativo, formado pelo entrecruzamento da corrente eletromagnética telúrica negativa, regida pelo Orixá Omulu, Orixá regente do polo negativo da linha da Geração.

Estes sete Oguns cósmicos atuam nas faixas vibratórias negativas como ordenadoras dos seres que optaram pela evolução cósmica, absorvente, concentradora e monocromática. Estes seres não são irradiadores de luzes coloridas, mas têm uma cor concentrada, seus densos magnetismos os tornam retos nos procedimentos e eles só se desenvolvem em um dos sete sentidos capitais.

Estes Oguns assumiram na Umbanda, a missão de formar linhas de “Exus de Lei” compostas por espíritos humanos caídos nas trevas humanas ou em faixas vibratórias negativas da dimensão humana.

Agregados a estas linhas de “Exus de Lei”, milhões de espíritos humanos afastados da faixa neutra e paralisados nos níveis vibratórios negativos puderam retomar, ordenadamente e jungidos aos mistérios cósmicos da divindade “X”, que lhes dá sustentação enquanto se mantiverem nos limites reservados para eles pela Lei (Ogum),

A divindade X (inominada) é um Orixá cósmico que rege a dimensão negativo-neutra onde vivem os Exus naturais. O divino guardião cósmico desta dimensão natural, e guardião dos mistérios da divindade X, é o Mehor-iim-yê ou Mehor yê, o guardião cósmico que polariza com o divino Ogum nos polos masculinos da linha de forças que forma o mistério “Guardião da Lei”.

Em livros anteriores, já bordamos o mistério “Mehor yê”, assim como o seu polo correspondente feminino, que é a divina Ma-hór-iim-yê, ou Mahor yê, a divindade cósmica que polariza com a Orixá Oxum. Mahor yê rege sobre os desejos e o mistério “Pombajira de Lei”, fundamentado nos seres femininos que só desenvolveram o magnetismo mental neutro e o negativo.

Mais do que isso, não podemos revelar a respeito dos Orixás cósmicos, sejam Oguns ou qualquer outro. Saibam que, nas linhas de Lei mistas, cujos Caboclos e Exus respondem pelos mesmos nomes simbólicos que demos aos Orixás Oguns regentes dos polos magnéticos negativos, todos eles são regidos por Orixás Oguns cósmicos que respondem pelos mesmos nomes e são bipolares, atuando tanto na direita (Caboclos) quanto na esquerda (Exus). Mas estes Oguns cósmicos intermediadores só atuam nas linhas horizontais (direita e esquerda), e nunca nas linhas verticais (alto e embaixo).

Saibam que estes Oguns bipolares (positivos e negativos) serviram como modelo para o Ritual de Umbanda Sagrada quando ele foi idealizado para acelerar a evolução espiritual por meio de um processo religioso, que desembocou no surgimento da Umbanda no plano material. No triângulo da Umbanda, em uma de suas interpretações (pois há outras), o alto é o Orixá, à direita estão os Caboclos(as) e à esquerda estão os Exus (pombajiras).




Bom, o que nos foi permitido comentar a respeito do Orixá Ogum, já comentamos. Logo, leiam e releiam com atenção tudo o que aqui está colocado e temos certeza de que muitos mistérios fechados, até agora, começarão a abrir-se para vocês, os estudiosos dos mistérios “Orixás”, os Tronos Regentes da evolução dos seres, das criaturas e das espécies.


Retirado do livro "Código de Umbanda" de Rubens Saraceni. 

23 de mar. de 2012

Divindades - Código de Umbanda


Código de Umbanda


Doutrina e Ritual de Umbanda

Livro 1

Sobre a necessidade de formação de uma consciência religiosa de natureza umbandista, e sobre polos dos procedimentos e das práticas rituais de Umbanda.















sétimo Capítulo



Divindades

A doutrina de Umbanda, por ser universalista, não veta ou despreza nenhuma divindade cultuada em outras religiões. O conhecimento mais profundo das hierarquias divinas revela que uma divindade ou um espirito ascenso, ou que se divinizou, tem caráter universal e atende, dentro dos limites da Lei Maior, a todos os que o invocarem solicitando auxílio ou sua intersecção junto a Deus.

A própria transposição dos Orixás da natureza para o interior das nascentes tendas de Umbanda processou-se por meio dos santos católicos, e até do divino Jesus Cristo, que ocultava com sua singela imagem humana o divino mestre Oxalá.

Por isso, a doutrina de Umbanda não refuta o uso de imagens nos templos: por trás da imagem de um espirito santificado oculta-se a presença de um Orixá “humanizado”, por intermédio, justamente, do santo já conhecido de todos.

O conhecimento superior das hierarquias divinas nos mostra que um espirito, quando se universaliza, abre um campo de atuação tão amplo que ultrapassa a religião que possibilitou sua elevação e ascensão dentro das hierarquias divinas sustentadoras da evolução de toda a humanidade.

Por isso, a doutrina da Umbanda recorre aos ícones sagrados de outras religiões e os acolhe como sinais exteriores de divindades pouco conhecidas, mas muito atuantes nos dois planos da vida. E, onde um espirito afim com ela se manifesta como guia de Umbanda, ali se encontra uma imagem, um ícone religioso ou um símbolo gráfico que assinala a regência da tenda e dos trabalhos espirituais pela divindade que o tem amparado no lado espiritual da vida.

E, mesmo que a muitos isso tenha passado despercebido, o fato é que se muitas tendas de Umbanda ostentam em seus altares imagens hindus, elas estão sinalizando que um espirito que ali se manifesta não foi um índio ou negro, mas sim um hindu, em sua ultima encarnação. E que sua formação religiosa se processou em solo hindu, onde ele cultuava uma divindade conhecida por seu nome em sânscrito, que não era um nome africano ou americano e muito menos cristão.

Mas, como o conhecimento das divindades, já em níveis superiores, diz-nos que não existe mais do que um Deus e nem que dois mistérios sejam absolutamente iguais, no entanto, esse mesmo conhecimento nos diz que um mistério divino tem alcance planetário, multidimensional e possui suas hierarquias espalhadas por todas as religiões. Quando uma nova religião é fundada, as divindades planetárias deslocam algumas de suas hierarquias para que se unam às hierarquias das outras divindades planetárias e deem sustentação à nascente religião até que ela própria consiga estabelecer sua hierarquias humanas constituídas só por espíritos formados já dentro de sua própria doutrina religiosa.

Por isso é que na Umbanda se manifestam tantos espíritos “estrangeiros”, quando o lógico e natural seria só se manifestarem espíritos africanos, índios brasileiros e cristãos convertidos às duas religiões naturais que deram origem à Umbanda.

O fato é que hierarquias inteiras foram deslocadas de seus campos de atuação, dentro das religiões que formaram, e foram colocadas à disposição das divindades regentes do nascente Ritual de Umbanda Sagrada. Trouxeram para a Umbanda suas formações religiosas, suas apresentações humanas e suas formas particulares de cultuar o Divino Criador, mas já se adaptando às linhas mestras traçadas pelos espíritos superiores que idealizaram a nascente Umbanda.

O sábio hindu se manifestaria sob o amparo de um dos Orixás, assumiria um nome simbólico de fácil assimilação pelos médiuns e pelos consulentes das tendas de Umbanda. Assim, um espirito já ascensionado, e cuja ultima formação religiosa se havia processado em solo estrangeiro, manifestaria-se em solo brasileiro por novo ritual com um nome simbólico de fácil assimilação, mas que indicasse as irradiações sob as quais se manifestava. E surgiu uma linha de Caboclos “Sultão das Matas”, que se manifestaram logo nas primeiras tendas de Umbanda e fixaram este nome dentro da nova religião. “Sultão” é sinônimo de imperador, e “matas” é sinônimo do elemento vegetal. Logo, o nome simbólico “Caboclo Sultão das Matas” significa Caboclo do Orixá Oxóssi, regente planetário que atua por intermédio da essência, do elemento e da energia vegetal.

Só que o espirito já ascensionado que fundou a linha de Caboclos Sultão das Matas é um “mestre da Luz” hindu cuja ultima encarnação ocorreu a 1.800 anos atrás e já atua em várias religiões, até mesmo na cristã, na qual possui uma ordem religiosa a qual não podemos revelar porque a lei do silêncio nos impede.

O fato é que, o mestre da Luz Caboclo Sultão das Matas, já atua em oito religiões diferentes, nas quais encarnaram e encarnam espíritos há muito já amparados pela hierarquia espiritual fundada por ele no astral, sustentada por uma divindade conhecida na Índia pelo seu nome hindu. No entanto, essa mesma divindade é uma intermediária da divindade planetária que atua por meio da essência, do elemento e da energia vegetal, que na Umbanda todos conhecem e cultuam com o nome de Oxóssi.

Viram como o Ritual de Umbanda Sagrada é universalista? Ele congrega espíritos de todas as esferas espirituais e, dotando-os com nomes simbólicos identificadores das qualidades dos Orixás planetários e multidimensionais, possibilita a eles ampararem seus afins encarnados em solo brasileiro, já atuando dentro dos limites de uma religião brasileira, pois, se as práticas espirituais são comuns a toda humanidade, no entanto, hierarquizadas como as do Ritual de Umbanda Sagrada, só em solo brasileiro elas acontecem.

Em nenhum lugar do mundo e em nenhuma época ocorreram manifestações espirituais tão espontâneas como acontece na Umbanda.

Mas isso escapa aos mais desatentos ou pouco conhecedores das vontades divinas, que se mostram como “religiões”.

Então a Umbanda aceita todas as divindades como exteriorizações dos mistérios divinos, acolhe a todas e reserva a cada uma um meio de melhor amparar os espíritos que Deus Pai lhes confiou.

E as divindades manifestam seus mistérios por linhas de ação e trabalho, mas ocultam atrás de nomes simbólicos ou de ícones religiosos, pois, assim, sem ferirem a suscetibilidade de ninguém, continuam a falar de frente com seus amados filhos adormecidos na carne, onde estão se aperfeiçoando em algum dos sete sentidos capitais.

A doutrina de Umbanda não se antagoniza com nenhuma religião. O Ritual de Umbanda Sagrada congrega espíritos de outras formações religiosas e aceita que todas as divindades manifestem seus mistérios, desde que ocultados por nomes simbólicos identificadores dos Orixás planetários, aos quais estão ligadas e que são seus regentes ancestrais.

Sim, porque se uma divindade humanizou-se, ela o fez sob uma das sete irradiações divinas, ou sete mistérios religiosos de Deus, que no Ritual de Umbanda Sagrada nominamos de “os sete Orixás essenciais”, que são:
·         Orixá Essencial da Fé
·         Orixá Essencial do Amor
·         Orixá Essencial do Conhecimento
·         Orixá Essencial da Justiça
·         Orixá Essencial da Lei
·         Orixá Essencial da Evolução
·         Orixá Essencial da Geração

A essência da Fé é cristalina; a essência do Amor é mineral; a essência do Conhecimento é vegetal; a essência da Justiça é ígnea; a essência da Lei é eólica ou aérea; a essência da Evolução é telúrica; a essência da Geração é aquática.

Esses sete Orixás essenciais não têm nomes humanos, mas manifestam-se como irradiações divinas por intermédio dos Orixás ancestrais, que se manifestam por intermédio das divindades intermediárias, que são os regentes dos níveis vibratórios das sete irradiações divinas.

Essas divindades intermediarias humanizaram-se e ampararam milhões de espíritos em evolução, todos afins com as qualidades essenciais dos Orixás ancestrais que as regem pelo alto. Por isso, a doutrina que fundamenta o ritual de Umbanda Sagrada aceita todas as divindades e as nomina por meio do simbolismo de Umbanda.

A doutrina de Umbanda sempre recorre à analogia ou à comparação pra identificar uma divindade e descobrir a qual das sete irradiações divinas está ligada. Quando completa a identificação, sempre encontra na divindade a essência divina manifesta por meio dela e o mistério que ela é em si mesma, pois manifesta qualidades essenciais divinas.

Por isso, a doutrina não aceita certas colocações que tacham de pagãs as divindades das religiões que já cumpriram suas missões junto aos espíritos ou no plano material. Por que pagãs? Só porque eram divindades cultuadas por meio de rituais religiosos antiquíssimos e anteriores até às doutrinas judaica, cristã e islâmica?

O conhecimento nos revela que as divindades não são Deus, mas sim manifestadoras de mistérios divinos. Por isso, atendem a desígnios divinos e, se não as aceitamos, devemos respeitá-las e entender que só se humanizaram para auxiliar a evolução da humanidade e amparar espíritos afins com suas qualidades divinas e qualificações humanas.

A analogia da Umbanda Sagrada nos mostra que as divindades das religiões mais antigas são regidas pelo setenário sagrado, e estudos mais acurados nos mostram que elementos as regem. E o mesmo nos revela o estudo dos Orixás, os quais são cultuados por meio da natureza terrestre e possuem locais específicos para serem ofertados.

Estudando os Orixás, descobrimos a qual hierarquia divina cada um está ligado. E, se nos aprofundarmos um pouco mais, descobriremos que eles sustentam evoluções paralelas à humana, e que acontecem nas dimensões naturais, habitadas por seres que nunca encarnam e que evoluem sem o recurso do corpo carnal.

Estudando o meio onde vivem esses nossos irmãos naturais, descobrimos que eles nos conhecem muito bem e até nos auxiliam em nossa evolução, pois nos enviam continuamente suas irradiações de fé, amor e estímulo.

E, indo um pouco mais fundo no estudo dos nossos irmãos naturais, descobrimos que se preocupam conosco porque, dizem eles, nós já vivemos ao lado deles em nosso estágio anterior da evolução. Tanto isso é verdade que muitos deles se integram às hierarquias naturais regidas pelos senhores Orixás intermediários, que são divindades, pois assim podem vir até a dimensão espiritual e nos auxiliar melhor em nossa evolução.

Todos nós temos irmãos naturais que se preocupam com nossa evolução e sofrem com nossas dificuldades, às vezes aparentemente insuperáveis. Por isso, nunca estamos sozinhos em nossa jornada humana.

E, se nos identificamos com um Orixá ou divindade natural, com certeza recebemos dela um amparo direto. Também algum irmão natural regido por ela nos acompanha bem de perto e desdobra-se para superar rapidamente as nossas dificuldades em evoluir para nos reunirmos a eles nas esferas celestiais. Por isso, a doutrina de Umbanda aceita como natural e correto o culto às divindades identificadas com a natureza e as estuda profundamente, sempre na certeza de encontrar nelas as qualidades superiores dos mistérios divinos.

E, se não torna obrigatório que o culto aos Orixás se realize unicamente nos seus campos vibratórios na natureza, no entanto, recomenda que de vez em quando os médiuns devam ir até um desses campos vibratórios altamente magnéticos e energizadores para eles reverenciarem os sagrados Orixás – divindades naturais, ou da “natureza”.

Por isso, o termo “pagão” é refutado porque possui caráter pejorativo, oculta a ignorância das pessoas quanto às qualidades terapêuticas das energias condensadas nos campos vibratórios onde se realizam os rituais religiosos de culto aos Orixás.

Divindade significa um ser superior irradiador de qualidades divinas e que, se compreendidas, muito nos auxiliam. Logo,  religião de Umbanda, na qual muitas divindades antiquíssimas manifestam seus mistérios por intermédio das linhas de ação e trabalho espirituais, recomenda o respeito a todas as divindades ou seres manifestadores de mistérios divinos.

A doutrina de Umbanda fundamenta-se no conhecimento profundo do universo ainda invisível aos espíritos encarnados, e mesmo de muitos dos que desencarnaram e mantiveram-se ligados à matéria.

Por isso, toda tenda de Umbanda dedica uma parte dos seus trabalhos mediúnicos à doutrinação e esclarecimento dos espíritos recém-desencarnados ou ainda adormecidos no materialismo paralisador da evolução. E, sempre que possível, integra-os ao nível terra das hierarquias espirituais do Ritual de Umbanda Sagrada, onde começam a despertar para o universo natural regido pelos sagrados Orixás, divindades naturais assentadas nos níveis vibratórios das sete irradiações divinas do nosso Divino Criador.

E, quando esses espíritos começam a despertar para a grandiosidade do universo regido pelas divindades, um grosso manto escuro é descerrado e eles encantam-se com os Orixás, que os inundam de irradiações de fé, amor e compreensão, pois as divindades sabem que estes seus filhos haviam tido suas memórias imortais adormecidas, e só assim não retornariam antes do tempo às dimensões onde já haviam vivido e evoluído “naturalmente”. Sim, quando um espirito tem sua memória imortal e ancestral despertada, descobre que já havia vivido e evoluído nas dimensões naturais amparado pelos senhores Orixás, aos quais muitas vezes havia refutado quando viveu no plano material sob uma cultura religiosa mesquinha, que negava a existência de divindades e o afastava das hierarquias divinas.

Mas os Orixás acompanham a evolução humana desde sempre, e sabem que o obscurantismo religioso faz parte da humanidade, e muitas vezes atendem à própria necessidade dos espíritos ainda incapazes de viver em harmonia com seus irmãos não encarnantes, chamados por nós de elementais, encantados ou seres naturais.

O obscurantismo religioso serve à Lei Maior para manter afastados do universo natural os espíritos ainda incapazes de conviver em harmonia com seus irmãos ancestrais. E se assim procede a Lei Maior é porque, enquanto não alcançar uma evolução “consciêncial”, um espirito levará para as dimensões naturais todos os vícios humanos e seus desequilíbrios emocionais. Com eles desequilibrarão tanto os seus irmãos naturais como o meio onde eles vivem, pois o universo natural é essencialmente energético e passível de influências mentais negativas.

Deus é perfeito em tudo e até o obscurantismo religioso serve aos Seus desígnios divinos, pois as doutrinas obscurantistas são essencialmente mentalistas e abstratas. Servem para aprisionar os seres em si mesmos e com isso negam-lhes um universo onde não estão aptos a habitar em espirito. Pelo menos, por enquanto!

Por isso, as doutrinas obscurantistas negam as divindades, que chamam de “deuses pagãos”, ou a divindade dos Orixás, aos quais chamam de...

Bom, o fato é que o obscurantismo religioso é a prisão da Lei e as doutrinas obscurantistas têm servido muito bem aos desígnios divinos, que em momento nenhum pune a quem quer que seja. Apenas retém em si mesmo quem ainda não está preparado consciêncial e emocionalmente para viver no universo sem fronteiras, que são as dimensões naturais habitadas pelos nossos irmãos elementais, encantados e naturais.

Mas todos saibam que, se o obscurantismo religioso é uma necessidade dos espíritos menos evoluídos, no entanto não é uma condição insuperável, porque o aspecto “evolução espiritual” é discutível e depende muito da aceitação, pelo ser, da doutrina que lhe está sendo ensinada. E se, em dado momento, o ser tomar consciência de que vinha dando mau uso ao livre-arbítrio, reconhecerá que mesmo dentro de uma doutrina obscurantista está Deus, que nela o retém para seu próprio bem, e que nela o reterá até que recupere sua capacidade de lidar com os mistérios divinos sem prejudicar a si ou aos seus semelhantes. Sim, porque é muito comum as pessoas serem colocadas diante do mistério “Orixás” e não sabem interpretá-los ou lidar co eles por lhes faltar um conhecimento profundo e correto de como eles atuam em nossas vidas. Então recorrem erroneamente aos mistérios, desconhecendo até mesmo o que significa a palavra “mistério”.

Muitos confundem mistério com Ocultismo, com Esoterismo, com cabala, et., pois a palavra já perdeu seu significado original e hoje se presta mais a encobrir a ignorância religiosa do que a esclarecer os procedimentos religiosos.

Houve um tempo (três milênios, pra sermos exatos) em que a palavra “mistério” significava o supra-humano, o incognoscível acerca das divindades. E os sábios que interpretavam os mistérios eram tidos em alto conceito junto aos fiéis, que os distinguiam e os tinham como as pessoas aptas a lidar com o mundo sobrenatural.

Os “mystas” eram os babalaôs de então e formavam uma casta religiosa na Grécia antiga, assim como os “magos” formavam outra na Pérsia. Eram pessoas preparadas para emitir as interpretações humanas dos mistérios de Deus e que, quando abriam as comemorações ou datas religiosas festivas, praticavam rituais invocatórios específicos às divindades.

Como o Cristianismo frutificou rapidamente em uma Grécia exaurida e escravizada pelos romanos, a palavra “mistérios” foi incorporada à religião cristã pelos primeiros padres, que assumiram o lugar dos “mystas” e adaptaram os mistérios à nascente doutrina cristã. Mas faltou a esses primeiros cristãos o conhecimento profundo dos mistérios, que, se todos conheciam por meio dos rituais públicos, só uns poucos os conheciam em profundidade. A partir de então, divagações acerca dos mistérios pulularam, e o conhecimento verdadeiro se perdeu.

Mas, para reparar a lacuna surgida com o desaparecimento dos mystas, nasceram os doutores em Teologia, ou teólogos, que extraíram dos filósofos as interpretações abstratas a respeito de Deus e as incorporaram à doutrina cristã, que se enriqueceu em conceitos abstratos acerca de Deus, mas, por outro lado, ficou carente quanto às hierarquias divinas.

O único meio de reparar essa falta de conhecimento (que só os mystas e os magos possuíam) foi “santificar” expoentes religiosos cristãos, que passaram a ser adorados no lugar das divindades naturais, tão conhecidas pelos antigos sacerdotes “pagãos” e tão temidas pelos padres.

Esse temor só se justifica pela ignorância, pois, se eles acreditavam na divindade de Jesus Cristo, não precisavam temer o poder das divindades alheias. Porém, não só desconheciam as divindades alheias e suas atribuições divinas, mas também lhes interessava dominar a mente das pessoas. Assim, nada melhor do que negar qualquer divindade ou ícone de outras religiões e lançar-lhes a pecha de “deuses pagãos”.

Isso se repete periodicamente na história religiosa da humanidade, e toda doutrina nascente se escuda na negação da divindade da religião que está chegando ao seu ocaso. E um obscurantismo religioso se instala porque só assim a nova doutrina alcança seu objetivo; dominar pela fé a mente das pessoas.

Por isso, a doutrina de Umbanda não proíbe os seus adeptos de estudarem doutrinas alheias. Ela entende que as pessoas precisam comparar os conhecimentos colocados à disposição de tantos quantos se interessarem pelo assunto.

Hoje, temos umbandistas que estudam Teosofia, Gnose, Maçonaria, Budismo, Hinduísmo, Lamaísmo, Cristianismo, Islamismo, Xamanismo, etc., et., etc. E, com isso, enriquecem ainda mais o Ritual de Umbanda Sagrada, pois estão dotando-o com o que de melhor possuem estas outras doutrinas religiosas.

Uma Umbanda esclarecida e escudada em conceitos universais é a melhor garantia de que um líder obscurantista não empolgará esta religião nascente ou que um “papa” não criará seu trono particular, do qual ditará dogmas que assegurarão o domínio da fé e da mente de muitas pessoas.

Afinal, ou uma divindade conquista seus fiéis pelas afinidades, ou não os auxiliará de fato, porque o tempo se encarregará de lança-la no esquecimento religioso.

E o Ritual de Umbanda Sagrada é pródigo em divindades naturais. No seu panteão estão assentadas todas as divindades existentes, ainda que não se manifestem com os nomes pelos quais ficaram conhecidas no passado, já que seus mistérios manifestam-se ocultados nos nomes simbólicos das linhas de trabalho de Umbanda.

A linhada Fé, por exemplo, constituiu tantas sublinhas quantas lhe foram solicitadas pelas divindades. E se sob a regência de Oxalá todos os mistérios da Fé se manifestam, no entanto, eles assumem características próprias e realizam suas missões por meio das linhas de ação e dos trabalhos pontificados por espíritos já ascensionados, que s formaram há séculos ou milênios sob a irradiação das divindades regentes dos mistérios da Fé.

Citemos só um exemplo da antiguidade das divindades que manifestam seus mistérios da Fé por intermédio de uma linha de ação e trabalhos de Umbanda Sagrada: a linha de Caboclos Arco-íris.

O Arco-íris divino é um símbolo religioso cultuado pelos antigos magos caldeus, que o receberam como herança religiosa de outra civilização ainda mais antiga e que remonta à era da mitológica Atlântida, civilização esta que deixou seus símbolos religiosos espalhados por toda a face da terra. Até o famoso castiçal de sete braços foi-nos legado por ela, que colocava nele sete velas coloridas, cada uma de uma cor.

Como o tempo a tudo renova, eis que entre os Orixás encontramos o simbólico Arco-íris Sagrado guardado pelo mito do Orixá Oxumaré, e que é representado pela Serpente do Arco-íris.

Mas uma ordem religiosa astral conservou todos os fundamentos e conhecimentos da religião que tinha como símbolo máximo o arco-iris e que cultuava uma divindade planetária que se renovou em solo africano como Oxumaré. E ele se renovou no Ritual de Umbanda Sagrada, deslocando para o ritual nascente uma de suas hierarquias, que assumiu o expressivo nome de “linha de Caboclos Arco-íris”, presentes já nas primeiras manifestações umbandistas.

O Orixá Oxumaré possui as mesmas qualidades, atributos e atribuições do divino “lá-ór-me-ri-iim-de-re-yê”, cujo nome é um mantra invocador da divindade regente da Fé durante a era Atlântida, quando era simbolizada por um arco-íris que se projetava para o alto e para o infinito.

A divindade da Atlântida é o mesmo Oxumaré africano, que se renovou na linha de Caboclos Arco-íris, que está recolhendo seus afins remanescentes por meio do Ritual de Umbanda Sagrada e reconduzindo-os às esferas luminosas; onde se reintegrarão às hierarquias naturais regidas pela divindade da fé, regente de um mistério que até os velhos babalaôs africanos desconheciam e por isso não ensinavam aos seus herdeiros religiosos.

O divino Oxumaré é uma divindade tripolar, pois atua no alto, no meio e no embaixo, ou seja, tem hierarquias que atuam na Luz, tem as que atuam junto aos encarnados e tem as que atuam nas Trevas.

Suas hierarquias são tão numerosas, mas tão numerosas, que se espalham por todas as religiões atualmente existentes. E não há sequer uma que não manifeste o mistério da Fé regido regido pelo divino “lá-ór-me-ri-iim-de-re-yê”, ou nosso amado pai Oxumaré, renovado na Serpente do Arco-íris. Todo Caboclo Arco-íris é um semeador da fé e saúda o divino Oxalá, pois é por meio do mistério da Fé que ele se manifesta dentro do Ritual de Umbanda Sagrada.

- Oxumaré é um Oxalá?
- Não.
- Oxumaré é o quê?

Oxumaré é um mistério divino que rege a renovação dos seres por intermédio do amor divino, simbolizado por um coração, que por sua vez simboliza uma das Oxuns intermediárias que se humanizou como “Ísis”, a deusa egípcia ainda muito conhecida, pois, igual a toda Oxum, é uma divindade maternal e amorosa.

Viram como o conhecimento religioso abstrato desconhece completamente as hierarquias divinas, como Deus procede e quem são realmente as divindades naturais?

O mentalismo abstrato acerca das coisas divinas foi o único meio de o obscurantismo religioso impor-se e dominar, pois precisava aprisionar os espíritos rebelados contra a rigidez das hierarquias espirituais estabelecidas no astral desde eras remotas e desconhecidas da atual civilização.

O Cristianismo apagou o conhecimento guardado pelos mystas e o Islamismo apagou o conhecimento que os magos guardavam com muito zelo. Por isso, as culturas religiosas cristã e islâmica negam as divindades naturais e canalizam a fé unicamente para Deus: os espíritos rebelados contra a rigidez das divindades naturais só se deixariam conduzir se fosse por meio de doutrinas adaptadas às suas necessidades mais imediatas, que é o retorno ao rebanho divino, do qual se haviam afastado e relutavam retornar.

Deus Pai, em Sua infinita bondade, criou novas religiões e dotou-as com doutrinas obscurantistas que têm acolhido milhões de espíritos rebelados contra a rigidez das hierarquias espirituais regidas pelas divindades naturais.

Se duvidam do que aqui afirmamos, deem uma olhada no que acontece atualmente dentro da recente Umbanda: espíritos encarnados, chamados para religarem-se aos Orixás, que são as divindades naturais, não aceitando submissamente a rigidez das hierarquias, simplesmente viram-lhes as costas e, escudados em uma religiosidade que beira o fanatismo, chafurdam a Umbanda e os Orixás com epítetos próprios de suas consciências maculadas pelo desrespeito aos mistérios de Deus. Mas Este, generoso como sempre, está dando a eles uma doutrina obscurantista. Assim, não confundirão nem a si nem aos seus semelhantes, pois não aceitaram a rigidez das hierarquias espirituais regidas pelos sagrados Orixás.

Muitos daqueles que hoje ocupam púlpitos e esbravejam contra a Umbanda, ontem frequentaram os terreiros, onde só sabiam pedir por bens materiais, tais como: carro novo, nova morada, afastar do caminho um concorrente, etc. Mas como viram meros mercadores da fé, as hierarquias os afastaram e só restou a eles o obscurantismo das seitas neocristãs, pois até o Catolicismo de antes não atendia aos seus anseios imediatistas e materialistas.

Deus Pai, em Sua infinita bondade e tolerância, os encaminhou e encaminhará sempre a outra doutrina, que, além de ser obscurantista, é muito mais rígida que a Umbanda. Por isso, o Ritual de Umbanda Sagrada respeita todas as doutrinas religiosas, e a doutrina de Umbanda respeita e aceita todas as divindades.

Afinal, o aguerrido Orixá Ogum, divindade aplicadora da Lei Maior, concede muito mais liberdade de pensamento aos seus fiéis que o sereno Jesus Cristo, quando comparamos um fiel de Umbanda com um fiel evangélico, já que a este último muitas coisas são proibidas.

A doutrina de Umbanda estimula os umbandistas a estudar as religiões e as divindades, mas sob a ótica comparativa. Com certeza, encontrarão respostas a muitos problemas sociais da atualidade se estudarem as recomendações das divindades aos seus fiéis, a postura dos religiosos enquanto intermediadores dos fiéis junto à divindade e os procedimentos dos fiéis diante da divindade e da doutrina que fundamenta sua religião.

1° - Descobrirão que as divindades exigem dos seus fiéis que sejam generosos, amorosos, humildes, obedientes, submissos, caridosos, etc.
2° - Descobrirão que os religiosos ensinam essas virtudes aos fiéis.
3° -  Descobrirão que, apesar de todo esse esforço, os fiéis têm muita dificuldade em proceder como exige a divindade e como recomendam os religiosos.

Nós nunca devemos julgar uma divindade pelo comportamento de seus fiéis, pois estes não são um espelho vivo refletindo as qualidade excelsas de seu regente divino.

Em Jesus Cristo, temos tudo o que um ser precisa para ascender aos céus, e, no entanto, o inferno está coalhado de cristãos. Em Oxum, temos amor suficiente para conquistar o coração divino, no entanto, as Trevas estão coalhadas de filhos e filhas da Mãe do Amor.

Por que isso?

Porque as divindades, que são mistérios de Deus, semeiam doutrinas virtuosas e os religiosos apregoam que só os virtuosos ascendem aos céus, mas os espíritos encarnados, avessos à hierarquia, pois esta implica obediência e renúncia pessoal, preferem a autossatisfação e uma liberdade que beira a libertinagem consciêncial.

A doutrina de Umbanda recomenda aos seus adeptos o respeito e a reverência a todas as divindades, assim como aos seus hierarcas humanos, encarnados ou não, mas que externem as qualidades ordenadoras e excelsas de seu regente divino. Mesmo tendo tantas divindades e tantos instrutores encarnados, ainda assim as pessoas continuam desencarnando e indo estacionar nas faixas vibratórias negativas.

Logo, a existência do inferno ou Trevas não se deve a esta ou àquela divindade, mas sim à rebeldia natural dos espíritos e à pouca atenção que dão ao que deles esperam as divindades.

Código de Umbanda - Rubens Saraceni
Livro 1
Capítulo 7

21 de mar. de 2012

Doutrina Religiosa - Código de Umbanda



Código de Umbanda


Doutrina e Ritual de Umbanda

Livro 1

Sobre a necessidade de formação de uma consciência religiosa de natureza umbandista, e sobre polos dos procedimentos e das práticas rituais de Umbanda.














sexto Capítulo



Doutrina Religiosa

A doutrina de Umbanda tem caráter universalista e absorveu conceitos fundamentais de outras religiões, os quais se têm mostrado positivos e universais, descartando os dogmas e o Ocultismo.

Os dogmas foram descartados porque paralisam a evolução dos fiéis e petrificam, no tempo, as religiões. Já o Ocultismo foi descartado porque só se adapta a ordens fechadas e seletivas.

Como a Umbanda não é seletiva, mas sim universalista e aberta a todos, sem distinção de qualquer espécie, então o Ocultismo seria um entrave à livre manifestação da religiosidade dos médiuns, que se veriam impossibilitados de tecer comentários acerca de duas práticas religiosas.

E, como a Umbanda tem por finalidade acelerar a evolução dos espíritos, os dogmas não foram aceitos.

Parte do atraso espiritual da humanidade se deve justamente a eles. Dogmas tais como:
§  À mulher é vedada a direção ou condução de rituais religiosos;
§  O sacerdote não deve ter contato com o sexo oposto;
§  O sacerdote deve colocar-se acima dos fiéis;
§  Os sacerdotes formam uma casta à parte;
§  Os fiéis devem obediência cega aos sacerdotes.

E muitos outros, que adentram no conhecimento das divindades cultuadas, mas que se mantêm estáticos no tempo, foram descartados pelos espíritos superiores que idealizam o Ritual de Umbanda Sagrada. Muitas vezes, por trás de um dogma oculta-se a falta de um conhecimento profundo da natureza e dos mistérios de Deus. E isso quando não visam interesses escusos ou dominadores da consciência coletiva de todo um povo.

Por isso, a doutrina de Umbanda é universalista e está aberta à incorporação de conceitos já consagrados, de interesse da maioria dos estimuladores da religiosidade livre do fanatismo e do sectarismo.

Conceitos tais como:
·         Só existe um Deus;
·         O homem é criação de Deus;
·         O homem carne é animado por um espírito imortal;
·         O homem foi feito à semelhança de Deus;
·         Ao espirito é dado o direito de reencarnar;
·         O ser justo e virtuoso ascende aos céus;
·         O ser injusto e viciado desce às trevas;
·         A toda ação corresponde uma reação
·         A prática do bem traz recompensa, e a prática do mal acarreta débitos;
·         Uma encarnação deve ser bem aproveitada pois possibilita a aquisição de uma consciência virtuosa;
·         Existência do carma coletivo e do individual;
·         Existência do recurso reencarnação retificadora;
·         Sujeição à Lei das Afinidades;
·         Superioridade dos bens espirituais aos bens materiais;
·         Prática regular da prece;
·         Consagração do ser ao serviço religioso;
·         Fraternidade total em relação à raça, à cor, à religião e à cultura;
·         Aceitação de hierarquias espirituais e divinas a serviço de Deus na condução do destino dos espíritos menos evoluídos ou dos encarnados;
·         Aceitação da manifestação dos espíritos durante as sessões religiosas, quando incorporam e dão orientações, realizam curas, afastam obsessores, anulam magias negativas, etc;
·         Evolução contínua dos espíritos.

Enfim, muitos são os conceitos incorporados à religião de Umbanda, mas que foram absorvidos de outras doutrinas pois são vistos e tidos como verdadeiros e indiscutivelmente têm servido para alavancar a evolução da humanidade como um todo. E, como o Ritual de Umbanda Sagrada realiza em seus trabalhos muitas práticas religiosas já antiquíssimas, pois seus idealizadores espirituais são oriundos de muitas religiões, algumas já extintas no plano material, nada mais correto do que incorporar os conceitos verdadeiros que auxiliaram os mentores a evoluir quando, também eles viveram suas muitas encarnações.
          
Como todas as outras religiões, a Umbanda adotou o simbolismo como um véu diáfano e ocultador dos mistérios divinos que se manifestam durante os trabalhos práticos.
            

Por trás dos nomes simbólicos dos guias espirituais está a atuação de inúmeros mistérios divinos que sustentaram muitas religiões, ou ainda estão sustentando as que atuam no plano material. Muitas já cumpriram suas missões e recolheram-se ao mundo espiritual, onde continuam ativas amparando seus afins.
              
O simbolismo é o meio mais prático de salvaguardar os mistérios divinos que, se não forem velados, logo são profanados por pessoas inteligentíssimas, mas movidas por interesses sombrios, tais como as que tentam negar a origem superior e divina de Jesus Cristo, só porque o nosso amado mestre divino se humanizou e nasceu para a carne do ventre bendito de aria.
            
Tentam, apegando-se a esse procedimento geral ditado por Deus para todo ser vivente na carne, negar a divindade de Jesus Cristo. Mas nós bem sabemos que, se o divino mestre não se furtou a essa regra divina, foi para humanizar-se e se mostrar igual aos quais consagrou sua existência, que somos todos nós.
            
Jesus Cristo é um mistério de Deus e assim deve ser entendido e cultuado por todos os que encontram nele o lenitivo para as dores da alma e para a comunhão plena com Deus, que por intermédio dele fala aos seus filhos, tanto encarnados como os que vivem no mundo espiritual.
            
Sim, porque Deus é o Pai de todos, e as divindades, diferenciadas dEle, são Seus mistérios, são os pais de coletividades de espíritos afins em um mesmo grau de evolução espiritual. E é às divindades que Deus recorre para falar de frente, e no mesmo nível, com Seus filhos espalhados por toda a face da terra; aos que vivem na dimensão dos espíritos e aos que vivem nas dimensões naturais paralelas à dimensão humana, assim como aos seres que vivem em outras orbes planetárias, já que é um contrassenso acreditar que o homem é o único ser inteligente no Universo ou seu único beneficiário.
            
As razões que levaram os espíritos superiores a recorrer ao simbolismo visavam a preservar as divindades que atuariam no Ritual de Umbanda Sagrada, e também a hierarquizar as manifestações dos espíritos que atuariam no nível vibratório “terra” por meio da incorporação nos médiuns de Umbanda.

O nome simbólico ocultador das qualidades da divindade seria comum a todos os espíritos regidos ou ligados ao mistério de Deus, que a divindade é em si mesma.
Não seria o espirito “José da Silva” servo do senhor Xangô que se apresentaria, mas sim um Caboclo, Preto-Velho ou Exu Sete Montanhas, e ponto final, pois o simbólico nome “Sete Montanhas” oculta uma divindade intermediária que rege os mistérios da Justiça Divina e à qual chamamos de Orixá Xangô.

E assim, sucessivamente, aconteceria com toda as divindades e com todos os espíritos que, por meio da Umbanda, manifestariam-se, sustentariam as práticas rituais religiosas e magísticas e acelerariam a evolução de seus afins encarnados ou retidos em faixas vibratórias negativas.

Muitos dos nomes simbólicos dos Orixás, tais como o Senhor Xangô das Sete Montanhas, Senhora Oxum do Coração, Senhor Ogum Megê Sete Espadas, Senhor Oxóssi “Curador”, (Hermes, o deus egípcio). Etc., estão ocultando os nomes que assumiram no plano material quando, a exemplo de Jesus Cristo ou de Buda, humanizaram-se e consagraram-se à evolução e ao amparo religioso de todos nós, os espíritos humanos.

Existe todo um conhecimento oculto pela Lei Maior, mas que envia até nós alguns raios luminosos que nos esclarecem acerca de como surgem as religiões e de que fim levam as divindades que as sustentaram, enquanto estiveram ativas no plano material.

A mais antiga religião ainda em atividade no plano material é a judaica, e, no entanto, ela só tem uns cinco mil anos solares de existência. Logo, os nossos irmãos judeus não devem preocupar-se com os que tentam acabar com sua religião, pois não conseguirão, uma vez que o tempo concedido a todas as religiões é de, no mínimo, sete mil anos solares. E, como assim são as religiões, ainda restam dois mil anos de árduos trabalhos religiosos aos nossos amados irmãos rabinos, no sentido de preservarem a fé em Deus Pai por meio da dogmática doutrina religiosa que tem preservado uma religião maravilhosa como a deles, a qual tem servido de fonte inspiradora a muitas religiões, ainda jovens. Ou o Cristianismo e o Islamismo não são jovens se comparados ao Judaísmo? Ambas beberam do saber dos rabinos para fundamentarem as doutrinas que as sustentam e sustentarão por milênios.

Nenhuma religião se fecha ou se recolhe antes de concluir sua missão na face da terra, esse é um imperativo divino. E, por mais que as outras tentem, mais tenaz é a resistência de seus adeptos ou fiéis, que retiram desses obstáculos a prova da fé que têm em Deus.

Mas algumas, quando concluem suas missões antes do tempo já citado de sete mil anos, e que é um ciclo religioso, recolhem-se e deixam no plano material apenas uma ordem religiosa que outra religião nascente logo incorporará e da qual extrai muitos dos fundamentos que a alicerçarão e darão sustentação à sua nova ou renovadora doutrina religiosa.

Por isso, a doutrina de Umbanda Sagrada adotou o simbolismo como forma de velar os mistérios que, por meio das suas práticas rituais, manifestam-se e passam despercebidos tanto dos assistentes como da maioria dos médiuns.

Por trás de um espírito que responde pelo nome simbólico “Sete Pedreiras” está o mistério divino “Iansã Sete Pedreiras”, que tem por trás a divina Orixá Insã – uma manifestadora diferenciada ou individualizada de Deus por meio de um de Seus mistérios.

Por isso, a doutrina de Umbanda é universalista: seus mistérios (divindades), conservaram-se os nomes africanos dos Orixás, não se restringem unicamente ao continente africano e manifestam-se sob outros nomes para atender a outras culturas e expectativas religiosas. Mas sempre atuam por meio de suas hierarquias, as quais possuem graus intermediários justamente para atender à diversidade cultural e religiosa da humanidade.

O simbolismo adotado mostrou-se fundamental à Umbanda e em pouco tempo alguns nomes de Caboclos, Pretos-Velhos e Exus se tornaram tão populares que dispensavam explicações ou apresentações, já que eram sinônimo de Umbanda e de trabalhos espirituais.

Até a simbologia, ou signos cabalísticos, tornou-se conhecida, e nos pontos simbólicos riscados todos reconhecem na espada o Orixá Ogum, na cruz o Orixá Obaluaiê, no raio o Orixá Xangô, etc.

Então, por essa facilidade de assimilação do simbolismo, a Umbanda também é simbólica e se mostra por meio dos símbolos sagrados ou consagrados conhecidos em outras religiões e aceitos como sinais gráficos religiosos.



Código de Umbanda - Rubens Saraceni
Livro 1
Capítulo 6

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